Conheça o Slam das Minas, a batalha de poesias só para mulheres

Imagine um evento de poesia. Agora, imagine que nesse evento, mulheres poetas declamam textos normalmente críticos, de forma incisiva e contundente. Mulheres negras, mulheres lésbicas, mulheres da periferia, mulheres marginalizadas que gritam e berram as agruras da sociedade machista, racista e homofóbica.

Não é um sarau, mas sim, o Slam das Minas, que reúne verdadeiras poetizas urbanas, de todas as idades, para tratar de temas voltados para o lugar da mulher no mundo contemporâneo. O movimento está espalhado pelo Brasil inteiro e conta até com Copa no Mundo, realizada na França. Aqui no Rio, a ideia foi concebida e é produzida pela poeta Letícia Brito junto com Eliana Mara Chiossi, Karen Ferreira, Lian Tai, Ursula H. Lautert e Yassu Noguchi.

Letícia foi ao Studio Majorem participar do podcast Lado B do Rio e contar um pouco da história e do momento atual dessa organização carioca, criada em maio do ano passado.

O Slam das Minas é um dos muitos herdeiros brasileiros do Poetry Slam, movimento fundado pelo poeta Marc Smith em Chicago (EUA), nos anos 80. “Ele, um homem branco, realizava batalhas de poemas na tentativa deixar os saraus de poesias menos chatos. Logo depois, o hip-hop também abraçou o movimento”, explica Letícia.

A poeta Letícia Brito, do Slam das Minas RJ, gravou o Lado B do Rio #55
A poeta Letícia Brito, do Slam das Minas RJ, no meio dos panelistas após a gravação do Lado B do Rio #55

A competição é simples: poetas devem declamar suas poesias autorais, de até 3 minutos, e são proibidas de usar adereços ou acompanhamentos musicais. Cinco juradas dão notas de 1 a 10, contando décimos. A nota menor e a nota maior são descartadas.

Para Letícia, as batalhas de slam são verdadeiras válvulas de escapes para mulheres, parte mais frágil do abandono político que vive o Brasil. “Essa democracia fingida não pode silenciar a poesia. Se começarem a silenciar a cultura, vai ficar muito evidente que não vivemos uma democracia. É um espaço de muita resistência”, afirma a convidada.

No Rio, os eventos normalmente acontecem em ruas ou praças públicas, respaldados na Lei do Artista de Rua, do vereador Reimont (PT). “Tem que estar sempre com ela (a lei) no bolso, para evitar qualquer problema”, conta Letícia.

O programa foi ao ar algumas semanas após a morte da vereadora Marielle Franco, que era uma entusiasta do movimento. “Escrever ajuda a sobreviver nesse momento”, lamenta a poeta, que conhecia Marielle. De acordo com Letícia, no geral, as pautas dos poemas nas batalhas são identitárias, agenda política igual a da vereadora morta. “Sobre ser mulher, ser negra, ser lésbica e viver nessa sociedade machista”, diz.

O Lado B do Rio #55 com Letícia Brito foi ao ar no dia 6 de abril e, além da entrevista com a poeta, debateu a ordem de prisão contra o ex-presidente Lula e a ameaça de golpe “tuitada” pelo comandante do Exército. Clique aqui e ouça na íntegra. Para conhecer mais do Slam das Minas RJ, veja os vídeos das batalhas no canal do YouTube clicando aqui e acesse a página do Facebook neste link.

Cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia, palpiteiro da rotina, opinólogo profissional, sommelier da porra toda e deblaterador.

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