“Eu Não Sou Um Homem Fácil”: um filme para ajudar a entender o feminismo

(Pode conter spoilers – mas acho que não tem)

Começo a escrever essas linhas antes mesmo de “Eu Não Sou Um Homem Fácil” (2018) acabar, por um motivo simples: jamais tinha assistido um filme cuja mensagem tenha sido passada de maneira tão fácil e rápida.

A película francesa é dirigida pela diretora Eléonore Pourriat e começa contando a história de Damien (Vincent Elbaz), um típico galinha-machista que bate com a cabeça e acorda em um mundo dominado pelas mulheres.

Ao longo do filme, o rapaz se envolve com a escritora “homemrenga” e “femista” Alexandra (Marie-Sophie Ferdane). A questão sentimental, da relação entre um homem e uma mulher em um mundo paralelo sexualmente falando não é o ponto que mais interessa no filme. Pelo contrário, cai no clichê da história de amor, que aliás, é criticado na própria película, em uma cena que Alexandra diz para a chefe que poderia escrever qualquer coisa “até uma história de amor”, mas logo é cortada: “não apela!”.

A mensagem que “Eu não Sou Um Homem Fácil” me passou que interessa de verdade é percebida nos detalhes nem tão sutis assim.

A todo momento, Damien é acusado de ser “masculinista”. Afinal, ele é um homem que faz coisas que as mulheres que fazem no filme: transava com todo mundo, tinha um emprego importante, gosta de carros e bebidas. O macho-alfa do mundo real. Na melhor alegoria do filme, Demian se junta a outros “masculinistas” que saem protestando pelas ruas, carregando bandeiras e fazendo resistência às “clitócratas” que comandam a sociedade.

Mesmo para mim, um homem de alguma forma habituado com o feminismo, o filme beira o surrealismo. E esse é seu grande mérito.

Afinal, onde já se viu um homem correr o risco de perder o emprego por causa da licença-maternidade? E o adolescente obrigado a fazer sexo oral na garota que gosta sem receber nem um beijinho em troca? E a pressão do pai em cima do homem de meia-idade que nunca casou e não para com nenhuma namorada?

Toda essa caricatura, entretanto, se aplica tranquilamente na realidade que vivemos… desde que fosse o outro gênero! O tempo inteiro, o filme obriga o espectador a pensar nas falas, atitudes, gestos e trejeitos se o personagem fosse do sexo oposto.

“Eu Não Sou Um Homem Fácil”, claro, é uma mensagem direta para os homens. Não para, necessariamente, “entender as mulheres”, mas sim, saberem de uma forma clara o que representa a luta feminista. Logo, é recomendadíssimo também para as próprias mulheres que renegam a batalha por condições iguais. Vai ajudar a entenderem que o simples fato de, por exemplo, uma mulher gostar de futebol (ambiente dominado por homens) é uma das muitas vitórias do feminismo.

Os clichês conhecidos por serem atribuídos às mulheres no “mundo real”, como crises de ciúmes, choros, insegurança ou excesso de romantismo, continuam, dessa vez, nos homens, o que acaba reforçando ainda mais o estereótipo na hora do exercício de trocar o sexo do personagem. Mas com um porém: o filme explica que isso se dá por conta da dominação milenar das mulheres perante os homens e, mesmo parecendo um “Se Eu Fosse Você”, também é didático nesse ponto.

Em um momento que julgo como chave, já chegando ao final da obra, Damien admite a sua terapeuta: antes, ele era o opressor, e agora, é o oprimido. A psicologa, que parece alheia a reversão do mundo e aparece como um “personagem neutra”, então, sugere: “que tal o meio termo?”.

Resolvi escrever o que achei do filme porque duas amigas engajadas na causa me indicaram a película, há algumas semanas, e ambas me desafiaram ao debate para saber o que eu achei. Aqui está.

Artisticamente, não tenho subsídio para dizer se o filme é bom ou é ruim em questões técnicas como roteiro, direção, atuação, etc. Mas além de explicar um pouco o movimento feminista, a obra é divertida e um bom entretenimento também.

Assistam!

Cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia, palpiteiro da rotina, opinólogo profissional, sommelier da porra toda e deblaterador.

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