Cid Benjamin: papo sobre conjuntura, anos PT e Ditadura Militar

Jornalista, escritor, colunista, professor. E, principalmente, militante histórico pela democracia brasileira. Este é Cid Benjamin, que bateu um papo com o Lado B do Rio em março deste ano. Mais do que uma análise da conjuntura atual tomada pelo bolsonarismo, olavismo, militarismo e todo esse cambalacho que forma o neofascismo à brasileira, o papo de quase 2 horas com Cid é uma aula de como resistir mantendo seu ideal e como chegar aos 70 anos lutando por uma sociedade mais justa.

Opositor, mas mais do que isso, torturado e sobrevivente, Cid carrega no corpo, na alma e na mente as marcas dos gorilas fardados que comandaram o Brasil de 1964 a 1985, mas mantém viva a chama de justiça que o levou para a luta armada contra os militares. E, claro, não se desconecta da realidade pós-democratização.

PT: decepção e resignação

O assunto Partido dos Trabalhadores veio à tona algumas vezes. O jornalista, que começou no PT, mas abandonou o partido para ir ao PSOL no início do século, foi um incessante crítico à esquerda dos governos Lula e Dilma, mas, com um misto de decepção e resignação, não jogou toda a conta do momento atual nos anos petistas.

“A vitória do PT foi uma experiência importante, mas malograda. Os erros do PT, em alguma medida, são também responsáveis pela situação que a gente tá vivendo hoje. Mas eu não quero responsabilizar o PT por isso. A sociedade tem um lado conservador que estava na defensiva”, analisa.

“Muito da legitimidade da candidatura do Bolsonaro se deu pela perda de legitimidade do sistema político, inclusive do campo progressista, com o PT. O PT deveria ter pressionado o Congresso pelas mudanças, colocar a massa na rua, chamar referendo ou plebiscito. Emparedar o congresso de forma democrática”, critica Cid, sem não antes avisar que “o PT não é mais um partido de esquerda, mas o antipetismo é, geralmente, de direita”.

O bolsonarismo

O início do bolsonarismo também foi tema das detalhadas explanações do jornalista. Para Cid, trata-se da radicalização do projeto de Michel Temer: um período de ataque às conquistas dos trabalhadores e entrega brutal do país. “As relações de trabalho estão voltando ao período da República Velha, com o empregado contra a parede. Com o desemprego, as pessoas vão acabar aceitando condições aviltantes de trabalho”, acredita.

O vice-presidente Mourão também foi lembrado pelo convidado. Para ele, o militar assume um papel de contraponto à galhofa que Jair Bolsonaro já se tornou enquanto chefe de estado. “Estou convencido que há gente que votou no Bolsonaro que está achando o governo dele ruim. Ele tá caindo no ridículo, na galhofa, muito rapidamente. E quando fica ridículo, tá lascado. Mourão está no cangote dele, fazendo o contraponto ao presidente. Não é mais progressista, mas é menos idiota”, atesta.

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Cid no estúdio entre os panelistas: décadas de militância em duas horas

Para ele, a questão da violência urbana foi vital para a eleição do ex-capitão. “Os mais prejudicados pela própria violência acabam embarcando nessa canoa de aumento da violência, querendo uma arma na mão de cada um. E vai dar carta branca pra PM matar mais”, afirma Cid.

Na visão do convidado, a esquerda fez o que pode em 2018 para evitar a barbárie. “Tentou colocar suas questões, na medida das possibilidades e das capacidades de cada candidato. Bem ou mal, se discutiu. Mas o terreno foi muito minado. Foi uma eleição complicada por causa da derrota do projeto pelo PT, visto pela população projeto da esquerda”, concluiu.

Teve tempo ainda para críticas a Sérgio Moro e Paulo Guedes, citações sobre a Suécia e o Irã, comparações entre a milícia e a Triple A, que atuou na Ditadura Militar Argentina e, claro, as histórias que viveu e presenciou na Ditadura Militar. Você pode ouvir o episódio 95 do Lado B do Rio no site da Central3 clicando aqui ou procurar no Spotify ou nos principais tocadores de podcast para smartphone.

 

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