Tensão política e escalada da pandemia em Eldorado

*De Washington (EUA)

O último domingo, 31 de maio, marcou uma escalada na tensão entre o governo da República de Eldorado e as forças pró-democracia, com embate nas ruas entre movimentos populares que repudiam a escalada autoritária do governo e forças de segurança.

Nos últimos meses, o governo do presidente Juan Barrado vem endurecendo seu discurso autoritário de ameaça às frágeis instituições democráticas do país, sendo chancelado por apoiadores fanáticos enquanto o país bate recordes de contaminação e mortes por Covid-19, caminhando rapidamente para se tornar o epicentro mundial da pandemia.

O extremista de direita Juan Barrado, atual líder eldoradiani , foi eleito no final de 2018 em um pleito controverso, marcado pela prisão do popular ex-presidente de esquerda Lucho de la Serna, condenado por corrupção sem provas robustas pelo então juiz Santiago Monte, alçado nome da “nova política” e que veio a ser nomeado ministro da Justiça do novo governo. A campanha também foi marcada por sofisticados esquemas de transmissão de notícias falsas em benefício do candidato da extrema direita atacando seus adversários e pela ativa participação de líderes religiosos extremistas na campanha. O ministro Monte pediu demissão no último mês de abril, acusando o presidente de pressões indevidas para interferir na Polícia Federal do país. O órgão é responsável por investigações sobre os esquemas ilícitos de distribuição de notícias falsas que envolvem políticos e empresários aliados e os filhos presidenciais.

Desde a posse, o atual governo de Eldorado tem sido marcado pelo discurso violento do presidente contra aqueles que considera inimigos, como artistas, intelectuais, professores e cientistas; pela implantação de uma agenda moral fundamentalista cristã pelos ministros das áreas sociais e culturais e pela política econômica ultraliberal do ministro da Economia Pepe Gómez, banqueiro que fez fortuna no mercado financeiro e nunca havia ocupado cargos públicos anteriormente. Outra marca do governo Barrada – ele mesmo um ex-capitão do Exército que abandonou a farda após ser  descoberto planejando atos de sabotagem na década de 1980 – é a cooptação do apoio das Forças Armadas, não apenas negando os crimes da última ditadura militar enfrentada pelo país (1964/1985), mas também nomeando oficiais militares para diversos ministérios e centenas de cargos de segundo e terceiro escalão da administração pública.

Cena de ‘Terra em Transe’ (1967), de Glauber Rocha (Foto: Divulgação)

A pandemia do novo coronavírus atingiu Eldorado em cheio a partir de março de 2020. Autoridades locais decretaram medidas emergenciais de distanciamento social, mas o presidente se recusou a reconhecer a gravidade da pandemia, a despeito dos alertas de seu então ministro da saúde, o médico e ex-deputado de centro-direita López Hugo Morales. Após um mês negando a gravidade da doença e a necessidade do distanciamento social enquanto os casos e mortes aumentavam, Barrada demitiu o seu ministro, nomeando o também médico e empresário do setor de saúde Néstor Tejada. O novo ministro durou menos de 30 dias no cargo e se demitiu após se negar a endossar formalmente o uso indiscriminado da cloroquina, defendida pelo mandatário como remédio que salvaria os contaminados pela Covid-19.

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Três semanas após a demissão de seu segundo ministro da saúde, a pasta segue interinamente a cargo de um militar da ativa, o general Padilla, que recomendou o remédio defendido pelo seu chefe e vê o quadro da pandemia se deteriorar cada vez mais no país. Isolados e sem apoio político ou financeiro do governo central, os governos locais começam a flexibilizar as medidas de distanciamento social enquanto os casos de contaminação e mortes disparam.

Neste contexto, centenas de apoiadores fanáticos do regime tem ido às ruas semanalmente, desrespeitando o distanciamento social, para declarar seu apoio ao governo e exigir medidas autoritárias contra os poderes legislativo e judiciário, que tem tentado impor limites aos ímpetos autoritários vindos do executivo. O presidente tem incentivado esses movimentos e inclusive comparece pessoalmente àqueles realizados na capital, Beldoradía.

Os atos de apoio ao governo de Eldorado têm sido marcados por uma radicalização cada vez maior do discurso, com defesas abertas da instauração de um regime ditatorial e uso de simbologia nazifascista e de supremacia branca.

Neste domingo, movimentos pró-democracia convocaram atos paralelos aos dos militantes da extrema-direita e foram atacados pelas forças policiais locais, famosas pela alta taxa de letalidade que impõem em suas ações nas áreas periféricas das grandes cidades do país e simpáticas ao presidente e a seus apoiadores.

*Este é um artigo de ficção da mídia brasileira sobre um país latino-americano. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

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