Editorial: o Lado B do Rio é Boulos, é Ciro e é Haddad. Ele, não.

O Lado B do Rio está no ar – há dois anos como podcast, há seis meses como site – com um único intuito: ser um contraponto opinativo e parcial à mídia hegemônica, cujos interesses estão voltados ao grande capital. Neste e demais espaços que nos dizem respeito, queremos dar voz a quem por razões de classe, não é ouvido, e quando ouvido, é distorcido e limitado.

Por esse motivo, entendemos que a eleição em um sistema de democracia representativa como o vigente no Brasil abre pouquíssimo espaço para legítimos representantes dos interesses do povo, perpetuando uma lógica perversa onde é a oligarquia, por uma via ou por outra, quem dá as cartas.

Acreditamos também, entretanto, que o voto é sagrado, sendo o primeiro e imprescindível passo para a democracia, que no Brasil, se outrora esteve mutilada, hoje, corre risco de morte.

Desta maneira, entendemos ser justo com nossos ouvintes e leitores uma tomada clara de posição no que tange às eleições presidenciais de 2018.

 

Crédito: Webert Belicio/AgNews

ELE, NÃO.

Antes de mais nada, declaramos que #elenao. Por motivos óbvios, mas que devem ser falados, o candidato Jair Bolsonaro, do PSL, não é uma opção digna e democrática para o pleito. Por suas declarações e atitudes homofóbicas, fascistas, xenófobas, misóginas e machistas, mas também, por sua agenda ultra-liberal de retirada de direitos básicos do trabalhador.

POR QUE CIRO GOMES (PDT)?

*Por Alcysio Canette Neto, advogado

Eu gostaria mesmo é de votar em um candidato à esquerda do Boulos, mas como isso simplesmente não é possível, me restou a rota do pragmatismo. Declaro meu voto em Ciro Gomes. Porque já que não é para morrer de amores pela plataforma de um candidato, como não morro pela do PT (que agora se propõe a fazer todas as reformas que nunca quis enquanto esteve no poder, mas sempre as prometeu nas eleições), nem pela do problemático PDT de Kátia Abreu, opto pelo pragmatismo, não só para garantir a derrota do candidato do PSL no 2º turno, mas também para de fato assumir o cargo.

Ciro, hoje, não tem uma visão de mundo muito distinta da do PT e possui uma capacidade de articulação política e um leve toque de caudilhismo que a personalidade cândida de Fernando Haddad não transmite. O Congresso versão 2018 promete ser um vespeiro daqueles e a articulação do PT via Curitiba tem tudo para dar errado e prender o Brasil em mais 4 anos de lama.

Por isso, meu voto dia 7 de outubro é em Ciro Gomes.

POR QUE FERNANDO HADDAD (PT)?

*Por Fagner Torres, jornalista

Ideologicamente, meu voto seria em Guilherme Boulos/Sônia Guajajara. No entanto, após alguma reflexão, concluí que a única forma desta eleição presidencial ser considerada legítima, é o partido que possui a preferência do eleitorado, o Partido dos Trabalhadores (PT), assumir o Governo Federal.

Numa democracia direta, a vontade do povo deve prevalecer. Se Dilma Rousseff foi retirada da cadeira da presidência num golpe parlamentar-político-midiático, e Lula, o líder das pesquisas de intenção de votos, que em circunstâncias normais venceria em primeiro turno, foi arbitrariamente impedido de disputar, nada mais justo que fazer valer essa vontade, seja o candidato Fernando Haddad ou qualquer outro quadro.

Por isso, voto na chapa Fernando Haddad/Manuela D’Ávila, com a maioria do povo e contra essa burguesia imunda, representada pela mídia corporativa, pelos bancos e pela corja fundamentalista e entreguista do Poder Judiciário.

E recomendo ainda que os ouvintes do Lado B do Rio votem no PT, PCdoB, PCB e/ou PSOL para deputados federais e senadores. É preciso aumentar a bancada humanista em Brasília, contra os retrocessos em nossos direitos sociais.

Desta forma, meu voto é 13, Fernando Haddad.

*Por Caio Bellandi, jornalista

É inegável que Guilherme Boulos e a plataforma do PSOL é a que mais me contempla (e a todo mundo que se entenda de esquerda neste país). Mas é verdade também que o PSOL ainda é um partido incipiente, que tropeça na falta de dinheiro e planejamento para campanhas, não consegue expandir sua voz para fora dos grandes centros e ainda não consegue derrubar as barreiras que o impede de aliar quadros verdadeiramente socialistas a quem de fato o socialismo interessa: o povo.

Também é verdade que o PT passou por transformações negativas ao longo dos anos. Entretanto, seja por influência de um líder que o país jamais viu, seja por puro feitio que corre nas veias da legenda, ainda é o Partido dos Trabalhadores que dialoga com as bases populares, que desce o Rio São Francisco e outros, rumo aos rincões onde um governo de centro-esquerda, que apenas dá um prato de comida, um bocado de água e um poste de luz, parece revolucionário.

Fernando Haddad, o substituto de Lula, é um quadro com serviços prestados ao país enquanto ministro da Educação e, posteriormente, prefeito de São Paulo, o que me passa uma confiança que eu não tinha em 2010 e, provavelmente, não teria em quaisquer outros quadros do partido.

Também é importante lembrar que o PT foi tirado do poder através de um golpe que restou na ausência completa do ainda embrionário Estado Democrático de Direito no país. O voto do povo deve voltar para onde foi subtraído em 2016 e o Partido dos Trabalhadores tem o direito moral de corrigir seus defeitos e aprimorar suas utilidades na qualidade do que foi eleito para isso, ainda em 2014: a Presidência do Brasil.

Por isso, meu voto é 13.

POR QUE GUILHERME BOULOS (PSOL)?

*Por Daniel Soares, economista

Eu queria mesmo era votar no Boulos. É a melhor candidatura presidencial do PSOL desde sua fundação. E não apenas pelo candidato, ligado a movimentos sociais, mas pelo esforço de construção de um programa coerente e factível, o que não houve em outras eleições. É o candidato que levanta temas como as Reformas Urbana e Agrária, rede de creches e tantos outros fundamentais que ficam escondidos em uma campanha presidencial.

Mas 2018 é uma eleição atípica. Atípica porque a principal missão é barrar o fascismo, não necessariamente construir alternativas de esquerda. Então, minha disposição era a de aguardar as pesquisas da última semana de campanha e dedicar meu voto a quem tivesse as melhores condições de ir para o segundo turno contra os fascistas.

Pois bem, as pesquisas mostram um quadro estabilizado para os dois primeiros colocados. Por mais que eu ache que terminar o primeiro turno na primeira posição tenha um impacto psicológico para a campanha do Haddad (alguém que acho um dos melhores quadros do PT, aliás), penso que ela irá para o segundo turno de qualquer maneira e a agenda apresentada pelo Boulos precisa sair mais fortalecida. E eu queria mesmo era votar no Boulos.

Por isso, meu voto é Guilherme Boulos, 50.

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