O Lado B e a esquerda

* Por Leandro Iamin

O penúltimo episódio do Lado B do Rio (que você pode ouvir aqui) foi um recordista de audiência. E isso não tem a ver com um convidado super popular, mas, sim, com um tema que mexe e provoca muitos de nós. O antropólogo Orlando Calheiros, podcaster como nós, foi convidado para falar sobre as estratégias (e a eventual ausência delas) da esquerda na internet. No rescaldo do papo, acompanhamos muitos ouvintes usando as redes sociais para colocar pra fora pontos de vista e reflexões feitas a partir deste programa. Isso não é pouca coisa.

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Como não é pouca coisa a estrada que o Lado B do Rio cruzou nestes 4 anos (muito mais que uma Dutra). Um ouvinte sugeriu dia desses que, não fosse pela delimitação carioca do nome do podcast, sua audiência seria ainda maior, posto que Fagner, Caio, Alcysio e Daniel não falam só dos dramas dos cidadãos fluminenses. O Lado B, para nossa alegria, conseguiu, de quebra, servir, em tempos tão carrancudos, como um lugar onde cabe a leitura de uma poesia, um desabafo sem polimento, uma piada ruim, um bate-boca áspero de 10 segundos entre dois apresentadores e, no recheio, o que tanto tem nos faltado: um debate que chame as coisas pelo nome que as coisas tem. Na temperatura certa. Assim, habilita-se como palco confiável para a conversa política posicionada e independente.

Produtora de alguns dos principais podcasts do Brasil

“A Central 3 é de esquerda?”, já ouvimos umas cinco mil vezes nestes anos. A resposta parece óbvia, mas nem por isso a pergunta também o é. No debate político brasileiro, a clareza é constrangida pela ideia da contradição, que sempre visita quem está no mundo e tem discurso. O Xadrez Verbal, que debate política internacional e tem como apresentadores dois amigos com matizes políticas distintas, sofre menos com esta pergunta, mas também sofre. E o que a gente responde? Que sim, mas não só. Nosso podcast de rugby, de educação ou de música brasileira tem a mesma missão que o podcast de política no que tange combater o sexismo, o racismo e qualquer discurso diminuidor de debates importantes. Esta política também nos interessa. Em oito anos, conseguimos cumprir esta missão com nossos parceiros.

E o Lado B do Rio sustenta, na carta de podcasts da Central 3, tudo isso, sem no entanto usar a armadura dos falsos imbatíveis. Não se gastou um só Real em engajamento de público, nem se adulou uma só vertente política de esquerda nestes 4 anos para receber simpatia momentânea. O episódio de estreia foi pra rua de pé descalço e o time encarou, semana após semana, um ambiente sempre disposto a esvaziar ou até interditar, por absurdo que pareça, as tribunas que se coloquem como de esquerda, mas também a critiquem sem nenhum prejuízo aos valores inegociáveis e evidentes que temos em comum.

Por isso, um viva ao Lado B do Rio, que é Lado B do Brasil e, vamos pegar essa carona, é o Lado B da Central 3. Jornalismo independente da maior qualidade.

* Leandro Iamin é jornalista, fundador e editor da Central3 .

N. da R.: A Central3 é a melhor produtora de podcasts do Brasil. Viva a Central3!


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