Editorial: Ideologia necroliberal conduz Brasil para o penhasco

Na última segunda-feira, o Lado B Notícias #5 tratou de dois temas que se interligam na ideologia necroliberal: a condução econômica de Paulo Guedes, o Ukyo Katayama das planilhas, e a greve dos petroleiros. Ambas tem um mesmo fundo, qual seja, o desrespeito total pelo trabalho qualificado e remunerado adequadamente.

Este editorial, então, é dedicado a quem vê o trabalhador com alguma estabilidade e que não está precarizado, estressado e com medo de perder seu emprego como um empecilho ao progresso.

O Índice de Gini mede o nível de desigualdade de um país. Os valores deste coeficiente são representados entre 0 e 1: quanto mais próximo de zero, menor é a desigualdade social. O Brasil ocupa a 99º posição (0,515) entre 108 países, vencendo apenas países com histórico de apartheid, guerras civis intermináveis ou que são, na prática, meras colônias.

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Vivemos em um país onde um morador de um bairro rico da maior cidade do país vive, em média, 23 anos a mais do que seu compatriota que mora na mesma cidade, mas num bairro pobre.

Um país que, mesmo após mais de 110 anos do fim da escravidão, não consegue aceitar sua identidade negra no tecido social e se agarra em cada subterfúgio de brancura, cuja grande ideia para a integração social dos recém-libertos era seu embranquecimento e consequente purificação através da diluição da cor.

Todo apoio aos petroleiros

Em resumo, vivemos em um país onde os capitalistas, os controladores de bancos, da indústria, dos imóveis e terras, relegam 13 milhões à miséria extrema e 54 milhões à pobreza para maximizar seus lucros. Organizam e loteiam o Estado para que ele não provenha absolutamente nada além do que é o essencial para eles: segurança na base da brutalidade indiscriminada e do racismo, e uma meia dúzia de instituições de ensino de alguma qualidade.

Foi isso o que sobrou nesses “ossos de carcaça de baleia” chamado Brasil. Não há mais margem de lucro para se extrair do pobre e do miserável, afinal, eles já viraram escravos dos aplicativos. Agora, é o couro da classe média que vai para a balança.

Em um país onde a ideologia necroliberal naturaliza servir água podre a nove milhões de cariocas para forçar a privatização de uma empresa de tratamento de água, o limite não existe.

Ouça o Lado B Notícias #5 onde mostramos, em detalhes, mais um episódio de como Guedes está conduzindo o país para o penhasco.

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