Vazamentos mostram como a Lava Jato desmoralizou as instituições do Brasil

Chegou a virar bordão, tamanha a insistência midiática com o termo. Toda vez que uma nova fase desse verdadeiro River Raid policial chamado Operação Lava Jato era deflagrada, os jornalões e as emissoras de TV e rádio efusivamente berravam aos quatro ventos como as instituições do país estariam finalmente funcionando. Nada poderia ser mais distante da verdade, contudo.

Ao juntar todos os processos ligados à corrupção de empreiteiras no Brasil em apenas uma vara criminal, o que a Lava Jato fez foi mostrar como não há confiança institucional alguma neste país. Imagine como seria estranho ver, por exemplo, todos os processos ligados ao Comando Vermelho ou ao PCC sendo julgados pelo mesmo juízo.

Procuradores e policiais fora da força-tarefa criada para a operação estavam afirmando, ainda que de forma implícita, que MPF, Polícia Federal e, por que não?, o próprio Judiciário Federal, era completamente corrompido e eles seriam os únicos incorruptíveis em todo o sistema. Quando um sistema depende de uma superioridade moral de um pequeno grupo de indivíduos, é porque ele está completamente deteriorado.

Condução coercitiva de Lula foi um dos instrumentos da espetacularização e partidarização da Lava Jato

Tal premissa de superioridade moral é fundamental para compreender a operação como um todo. É ela que transformou os membros da força-tarefa e o juiz Sérgio Moro em estrelas midiáticas, personagens de cinema. Mas pouco se debateu o quanto essa superioridade moral é aplicada em um comparativo com os colegas de profissão desses juízes, promotores e delegados de polícia.

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O The Intercept Brasil vai mostrando, aos poucos, o real motivo de ser da máquina de desmoralização institucional chamada operação Lava Jato. O que os envolvidos desejavam não era uma luta irrestrita contra a corrupção, mas controlar a narrativa das investigações de forma centralizada, para criar um circo midiático. Os porquês da necessidade desse comitê central de vazamentos e condução de inquéritos ainda serão revelados em momento oportuno, mas cabe lembrar que o procurador Santos Lima, novo personagem da “Vaza Jato”, diante de depoimentos de Marcelo Odebrecht afirmando que o esquema de corrupção que o levou à prisão foi alinhavado com Sarney para se adaptar ao novo arranjo institucional vigente, afirmou que o esquema teria se iniciado “pelos idos de 2003”.

Talvez, o motivo de ser da Lava Jato como ela se desenvolveu tenha sido justamente um medo mortal que as instituições neste país de fato funcionassem.

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