Governo militar de Bolsonaro dá razão ao detento Dorival

O Brasil passou por uma Ditadura Militar de 21 anos que interrompeu qualquer chance de crescimento enquanto nação. Na mãos dos militares do Golpe de 1964 até a abertura em 1985, o país estagnou ou retrocedeu em diversos índices sociais, se tornando uma sociedade atrasada, onde se contavam milhões de miseráveis, famélicos, tendo um terço da população analfabeta, a mortalidade infantil seis vez maior que a atual e um verdadeiro sistema de castas que impedia a ascensão dos mais pobres. Comparado aos anos 50 e, obviamente, às conquistas sociais dos anos 90 e principalmente 2000, o período milico do Brasil foi patético. Talvez bom só para os militares e seus apaniguados, que de maneira lícita ou ilícita, usufruíam das benesses públicas que o Regime ofertava.

Mas deixar um país destruído não serviu para tirar a moral dos milicos perante à sociedade. Após deixarem o governo de forma “lenta, segura e gradual”, continuaram sendo saudados como sinônimos de competência, integridade, honestidade e patriotismo pela opinião pública e pelo senso comum. Os governantes da Nova República, por medo ou incompetência, preferiram não mexer nos esqueletos nos armários dos fardados, em que pese a realização de ações como a Comissão da Verdade, muito aquém do esperado.

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O tempo passou e o Brasil elegeu legitimamente – embora com base em disparo em massa de mentiras e estelionato eleitoral – um militar. O capitão da reserva Jair Bolsonaro, o Genocida, fez o que dele se esperava: encheu de milicos todas as áreas do seu governo, do mais alto escalão aos cargos menos chamativos. O maior exemplo acabou sendo a vaga de ministro da Saúde, ocupada durante uma pandemia que matará 300 mil pessoas por um general “especializado em logística”, sem qualquer formação ou especialização na área de Saúde Pública ou Saúde Coletiva. A aberração Pazzuelo foi bem explicada pelo Alcysio Canette no Lado B Notícias #56.

Pazuello foi mais um general que se prestou a ser chaveirinho de Jair Bolsonaro. (Reprodução/Facebook)
Eduardo Pazuello foi mais um general que se prestou a ser chaveirinho de Jair Bolsonaro em troca de um cargo para o qual não estava preparado. (Reprodução/Facebook)

Todos esses fardados – alguns até vestidos de astronauta – só fracassam desde que assumiram o protagonismo de guiar o país para o penhasco, ainda com o golpista Temer, que antecipou-se ao bolsonarismo e iniciou o loteamento de carguinhos para milicos. Seja em 2022, seja em 2026, seja daqui a 20 anos, os militares entregarão um país pior do que pegaram, como fizeram em 1985.

De uma coisa esse governo genocida serve: para gente dar razão ao que dizia o detendo Dorival, personagem-título do curta O Dia em que Dorival Encarou a Guarda” (1986), dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart, na interpretação sensacional de João Acaiabe. Quer saber o que Dorival falava? Ganhe 15 minutinhos e assista a película. Vale a pena.

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One thought on “Governo militar de Bolsonaro dá razão ao detento Dorival

  • 23 de março de 2021 em 12:41
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    Esse filme/curta é uma peróla mermão! Quanta criatividade, quanta potência, e quanta técnica também, vide por exemplo as cenas do personagem imaginando os quadrinhos, sensacional!

    Uma sugestão, não sei se interessa a vcs e se é viável, mas colocar os artigos também de forma narrada como “episódios” curtos do podcast. Abcs!

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