Jair Bolsonaro no banco dos réus na Corte de Haia

Há alguns dias, o Brasil completou dois meses de quarentena por conta da pandemia da Covid-19. Torta, feita de maneira incompleta, de caráter provisório e regional, o arremedo de isolamento social só aconteceu graças à ação dos governadores. Do genocida Wilson Witzel ao comunista Flávio Dino, passando pelo ultraliberal João Dória, quase todos os governadores resolveram adotar medidas que segurassem as pessoas em casa em março.

No susto, os primeiros dias surtiram algum efeito. Viu-se, de maneira geral, pouco mais da metade da população ficando em casa e evitando circular nas ruas tomadas pelo traiçoeiro novo coronavírus. No fim de março, 60% do Brasil respeitava as medidas de isolamento social. Ainda longe do considerado ideal, mas dando a impressão que precisaríamos apenas ajeitar algumas questões para termos uma quarentena séria, segurarmos as contaminações e evitarmos mortes.

Mas havia um empecilho. Com nome, sobrenome e um projeto de limpeza social claros.

Atuando abertamente contra o isolamento, o neofascista eleito presidente por 57 milhões de iludidos, ignorantes e filhos da puta, primeiro, fez pouco caso da “gripezinha“. Depois, colocou os canalhas que fazem parte do seu desgoverno para atacar a China, país que sofreu com a doença – e principal parceiro comercial do Brasil.

Daí em diante, ao invés de atuar junto aos governadores, ou até melhor, chamar a responsabilidade e fazer o que deveria ser feito, Bolsonaro desestabilizou completamente a sociedade. Riu e debochou dos mortos. Como bom patriota, cuspiu nos caixões dos brasileiros vítimas do coronavírus. Como um cristão exemplar, vilipendiou o cadáver dos seus irmãos.

Um Brasil que resiste: Antônio, de 61 anos, após mais de um mês tratando a Covid em Mossoró (RN) Foto: G1

No lugar de testes em massa e projetos sérios de isolamento social e planos para a pós-quarentena, apostou em um tratamento sem comprovação de eficácia como lema. A cloroquina, tal qual o nióbio na economia e o comunismo na sociedade, virou a repetitiva muleta para sua falta de capacidade cognitiva e de liderança.

O problema é que a cloroquina, este símbolo da falta de iniciativas para frear a pandemia, mata pessoas. Mata diretamente e, principalmente, indiretamente. O medicamento nada mais é que a aposta no vazio, no oco, no nada, enquanto um vírus desconhecido ceifa vidas e diminui famílias. A cortina de fumaça perfeita para que o Brasil continue acumulando corpos. Política genocida, eugenista e de limpeza social.

Dessa forma, o Brasil de Jair Bolsonaro mata os seus brasileiros. Os casos dispararam. Mesmo com pouquíssimos testes, a contaminação cresce de maneira assustadora. As mortes levaram o Brasil ao trágico ranking de países que mais óbitos registraram.

Neste momento, meio-dia do dia 20 de maio, são mais de 17 mil óbitos, fora as sub-notificações, de onde se tira que podem ser, pelo menos, 30 ou 40 mil mortes decorrente da Covid-19.

Se já não for não-oficialmente, o Brasil estará entre os 3 países com mais mortes em poucas semanas. Hoje, é o 6º. Em número de casos, já é medalha de bronze. Mesmo com a doença tendo começado aqui um mês depois. Uma campanha de recuperação e tanta! À base de corpos…

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O nível é tão baixo que até Donald Trump, com Jair Bolsonaro parece ter sonhos lascivos não-correspondidos, quer os norte-americanos longe dos brasileiros. Isso porque Trump e seu país estão longe de serem exemplos de como conter a doença. O problema é que a cópia brasileira do tosco e canalha ianque consegue ser ainda pior no quesito negacionismo da ciência.

Também neste momento, a taxa de isolamento no país é de 42% e a imprensa registra longo congestionamento na entrada de Santos, no litoral paulista, onde paulistanos querem aproveitar o feriado antecipado pegando um solzinho, uma praiazinha e um víruzinho.

É claro que essa gente é escrota, egoísta e ignorante.

Mas é impossível dissociar essa imbecilidade de boa parte dos brasileiros que insiste em ir pra rua por nada da falta de um projeto sério de isolamento e pós-quarentena do principal governante do país.

Um presidente sério faz falta para esse povo idiota. Mas, é óbvio: foi a mesma gente que colocou (ou lavou as mãos) o presidente ignorante e vil na cadeira mais importante do Brasil.

Se merecem.

Já nós, que lutamos pela democracia, pela igualdade e somos vozes que clamam pela ciência e pela educação, merecemos que Jair Messias Bolsonaro responda por crimes contra a humanidade na Corte de Haia.

A História, esta velha senhora que caminha a passos lentos, mas quase sempre pra frente, há de nos redimir um dia.

(A charge de Éton foi retirada de www.horadopovo.com.br)

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