Bolsonaro repete Jânio e Collor e já corre risco: onde estará o povo?

No mesmo dia em que o Presidente da República compartilhou um texto apócrifo onde sugere uma conspiração tramada para boicotar suas ações de governo, apoiadores começaram a convocar manifestações para o próximo dia 26, em várias capitais. Tais fatos me remetem a dois acontecimentos históricos ocorridos no Brasil, em meados e no final do Século 20:

Em 1961, Jânio Quadros, eleito para varrer a corrupção do Brasil, tentou um auto-golpe para se perpetuar no poder. Saiu de Brasília para São Paulo esperando ser recebido por uma multidão de apoiadores em seu reduto eleitoral. Consta nos anais e menstruais da História que, ao começar a sobrevoar a Selva de Pedra, vendo as avenidas completamente vazias, teria perguntado a um assessor:

“Ué, onde está o povo?”

Jânio ia salvar o país da corrupção e acabou no ridículo. Lembra alguém?

Acuado, Quadros renunciou culpando “forças terríveis”. João Goulart acabou tomando posse, sendo derrubado por um golpe tramado pelos EUA, militares e empresários brasileiros, além de setores da Igreja Católica, três anos depois.

Outro fato análogo a essa manifestação do dia 26 remete à crise enfrentada por Fernando Collor, um taciturno governador de Alagoas, que como o governante atual, alugou um partido para concorrer à presidência e se elegeu prometendo caçar os marajás. Uma espécie de “acabar com a mamata, taokêy!?” daqueles tristes anos onde homens usavam mullets e mulheres calça jeans na altura dos peitos.

Pressionado após denúncias de corrupção descritas por seu irmão, Pedro, na Revista Veja, Collor, em rede nacional, convocou a população a sair às ruas vestida de verde e amarelo em sua defesa. Quem tem mais de 35 anos, como é o meu caso, lembra bem o que aconteceu na sequência.

Começarei a gastar minhas velas com novos defuntos. O atual começou a feder.

Jornalista. Escreve às quartas.

Um comentário em “Bolsonaro repete Jânio e Collor e já corre risco: onde estará o povo?

  • 19 de maio de 2019 em 08:45
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    Geralmente sou taxado de esquesda.
    Mas em parte, tenho que concordar com o texto compartilhado. Sua narrativa trás a realidade do nosso Brasil.
    E tenho que uma coisa esteja certo. Que nada adianta governar sozinho. Portanto, tenta apoio popular. A questão é a finalidade desse apoio. Se é um golpe ou mostrar força.
    Diferentemente dos EUA (odeio citar esse país, mas neste caso é o melhor exemplo) nossa República Federativa foi mal parida. Competências e poderes demais na União. Um Judiciário anacrônico e de estrutura inchada, com membros pouco dedicados.

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