Executaram Marielle. Quantos adjetivos cabiam naquela mulher?

Quis a selvageria desta cidade que o meu primeiro texto para este site falasse sobre dor, e não da alegria de inaugurar mais um espaço de reflexão.

Executaram a Marielle Vereadora.

A nossa companheira.

Socióloga. Favelada. Negra. Mãe. Militante. Parlamentar.

Quantos adjetivos cabiam naquela mulher? Marielle parecia tão ilimitada quanto surpreendente. Tanto que, desde que a última urna foi apurada no primeiro turno das eleições de 2016, revelando seus mais de 46 mil votos, levá-la em nosso podcast passou a ser uma missão. E foram inúmeras as conversas. Muitas as tentativas. Infelizmente não deu.

As muitas atribuições dessa grande companheira, arrancada de nós de maneira covarde, acabaram impedindo o encontro que tanto queríamos. Faz parte: viver é correria. E a vida dela era prova disso.

O importante é que sempre nos sentimos representados pela sua atuação. Marielle Franco deixou em nós o legado de passos que vieram de longe. Se sua morte dói pela tentativa de silenciamento, de calar aqueles que ainda não chegaram onde ela chegou, amanhã a certeza será que ela não estava sozinha. Marielle se foi, mas a semente está plantada. Como dizia seu slogan: “nós somos”.

Tínhamos um símbolo, agora temos uma mártir.

A História não morre a tiros de fuzil. Ela é uma senhora velha e sábia que só se entrega aos corajosos.

Voa Marielle, presente hoje e sempre! Não será em vão.

Jornalista.

7 comentários em “Executaram Marielle. Quantos adjetivos cabiam naquela mulher?

    • 16 de março de 2018 em 17:34
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      Hoje e sempre!

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  • 16 de março de 2018 em 10:26
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    Depois de ouvir o depoimento do Fagner e ler esse texto é impossível não se emocionar. O Brasil perdeu uma mulher foda, que lutava pelos desfavorecidos, pelos excluídos desse sistema desumano e desgraçado.
    Espero que desse atentado nasça uma mobilização organizada, feita pelo povo para o povo! E é isso que eu posso ter, esperança. Pois ainda não conseguiram tirar isso da gente.

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    • 16 de março de 2018 em 17:36
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      Essa também é a minha expectativa, Douglas. Que a morte da Marielle não fique impune e que dessa tragédia tenhamos a força necessária para esquecer as nossas vaidades e darmos um passo a frente na mobilização que transforme essa sociedade caótica, falida e perversa em algo mais humano.

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  • 16 de março de 2018 em 23:11
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    Vendo essas coisas acontecendo e a provável razão dela ter sido assassinada, não deixo de me surpreender que apenas há alguns meses atrás, eu seria uma das pessoas defendendo ações militaristas contra o tráfico nas favelas e imbecilidades afins. O programa de vocês foi realmente algo transformador. Não deixem de fazer esse importante trabalho, acho que mais do que informar, a mídia do podcast é capaz de dar uma profundidade na análise que acaba gerando um efeito transformador nas pessoas. Um tema como Direitos Humanos nem deveria ser um contencioso, na minha opinião, entre direita e esquerda, mas infelizmente, a desinformação e doutrinação (não sei se é legal usar esse termo, mas não consigo pensar em outra palavra para o que gente como Kataguiri e Olavo de Carvalho fazem) faz a sociedade se encher de ódio e buscar sempre culpados fáceis e alvos “”””claros”””” para responsabilizar. Ficou um puta textão, mas fica aqui meu agradecimento e obrigado. #Eu_Era_De_Direita_Mas_O_LadoB_Me_Curou

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    • 17 de março de 2018 em 12:00
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      Gabriel, a mudança de postura a que você se refere, é o combustível que nos dá energia para continuar aqui. Muito obrigado pelo seu depoimento e por se juntar a nós. Abraços, Fagner.

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  • 25 de outubro de 2018 em 00:02
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    Conheci o podcast há alguns meses, mas só agora vim conhecer o site e buscar mais informações sobre vcs em geral (página no FB, twitter, etc.). E esse foi o primeiro texto do site que li, pequeno em tamanho, enorme em coração! Sinto muito orgulho de ter votado nela e, nessa eleições, na Renata Souza, por “culpa” de vcs do podcast. Com gente como a Renata sendo eleita, temos certeza que Marielle virou semente mesmo! Ela vive!

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