Estátua de Marielle Franco é afirmação de que sua luta continua

Na última quarta-feira, dia 27 de julho, foi inaugurada a estátua da vereadora Marielle Franco na Praça Mário Lago, o Buraco do Lume, no Centro do Rio, onde costumava ir todas às sextas prestar contas das suas atividades na vereança. Marielle subia em um caixote e dizia para quem quisesse ouvir sobre as suas atuações naquela semana. A estátua, feita em bronze pelo artista Edgar Duvivier, mede 1,75m e foi fruto de uma campanha de financiamento coletivo do Instituto Marielle Franco, que contou com o apoio de mais de 600 pessoas. A importância de um monumento em homenagem a uma mulher negra, favelada e defensora dos Direitos Humanos, principalmente, nos dias de hoje, é mais que simbólica, é afirmar que sua luta continua.

E tem que continuar. Filha da Dona Marinete e Seu Antônio, nasceu e cresceu em uma favela do Complexo da Maré, foi mãe jovem, mas em meio a toda dificuldade, se matriculou no pré-vestibular comunitário da Maré e, em 2002, foi aprovada no curso de Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Marielle foi uma aluna bolsista como eu e como muitos alunos da PUC-Rio, uma universidade privada, localizada no bairro da Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Imagino a sua alegria ao concluir a graduação e de toda a sua família ao ver a filha com um diploma de ensino superior.

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Mas ela não parou por aí: foi cursar um mestrado em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde defendeu a dissertação intitulada “UPP- A redução da favela em três letras: uma análise da política de segurança publica do Estado do Rio de Janeiro”.

Em 2006, integrou a equipe da campanha do então deputado estadual Marcelo Freixo e atuou como sua assessora por dez anos. Em 2016, foi a quinta vereadora mais bem votada no município do Rio. Suas propostas buscavam garantir apoio aos direitos das mulheres, à população LGBT, aos negros e moradores da favela.

Em 2018, o então presidente Michel Temer autorizou mais uma intervenção federal no Rio de Janeiro. Marielle chegou a ser nomeada como relatora da comissão que investigaria supostos abusos por parte dos agentes do Estado com a população nas favelas. Naquele ano, em março, a vereadora foi assassinada no bairro do Estácio, após sair de um evento na Lapa. Estava ela, a assessora e o motorista Anderson Gomes, também morto com três tiros nas costas.

Estátua da socialista Marielle na praça que leva o nome do comunista Mário Lago: a luta de ambos continua (Caio Bellandi)

Mais de quatros anos se passaram desse crime covarde. Dois suspeitos estão presos, porém, ambos negam qualquer participação, e as investigações não avançam. As trocas constantes de delegados e a saída das promotoras Simone Sibilio e Letícia Petriz dão a entender que solucionar o caso não é prioridade.

Afinal, quem mandou matar Marielle e por quê? Por que é tão difícil encontrar seus mandantes?

A luta continua por justiça, pelas causas que defendia, pelo seu legado, mesmo já tendo sido alvo de mentiras e montagens falsas.

Viva Marielle, hoje e sempre!

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One thought on “Estátua de Marielle Franco é afirmação de que sua luta continua

  • 6 de agosto de 2022 em 11:56
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    Justa a homenagem feita à Marielle, mas nós sabemos que os defensores dos direitos dos esquecidos pelo poder público, dificilmente sobrevivem. Temos os exemplos de Ghandi, Martin Luther King e outros, covardemente assassinados e de Mandela, preso durante 27 anos por defender os direitos do seu povo.
    Infelizmente ñ interessa aos poderosos descobrirerem o mandante do assassinato dela.
    Fica , no entanto, a estátua , manutenção da memória dela.

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