Bolsonaro, o Genocida

Difícil demais começar a escrever esse texto. Ele é, certamente, muito mais um desabafo do que uma denúncia. Não tem como denunciar Bolsonaro. Tudo que ele faz já está tão público, tão explícito, que é impossível ter a pretensão de denuncia-lo. Assim como é impossível (ou, no mínimo, cínico) fechar os olhos e fingir que nada está vendo. Por agora só me resta tentar me comunicar, de alguma forma, com esse sentimento comum de que estamos todas e todos no fundo do poço. 

Mas o Brasil, principalmente nos últimos anos, possui essa característica interessante de sempre nos iludir. A ilusão é a seguinte: a gente acha que agora sim, estamos no fundo do buraco, mas aí descobrimos que o fundo não chegou ainda. Existe um porão e debaixo desse porão existe outro buraco. O limite? É imprevisível. 

Um governo de morte cujo representante só pode ser chamado de uma coisa: genocida.
Um governo de morte cujo representante só pode ser chamado de uma coisa: genocida.

Não há análise de conjuntura que dê conta de tudo que nós vivemos. Ontem batemos mais um recorde de vidas perdidas. Hoje provavelmente bateremos outro. Vidas perdidas vítimas da covid e também vítimas da negligência do Governo Bolsonaro e suas políticas antissanitárias, como a compra de cloroquina, a promoção do “kit covid” e a relutância em comprar vacinas. 

Tudo que Bolsonaro fez está amplamente registrado e documentado. Não existem dúvidas sobre o genocídio promovido pelo Presidente da República, que contou com o auxílio especial do “especialista em logística” e general da ativa, Eduardo Pazuello. Certos nomes precisam ficar marcados para sempre no imaginário social e cabe a nós fazer, pouco a pouco, com que esses nomes se tornem sinônimos de asco, vergonha e nojo coletivos. 

Leia mais de Lana de Holanda

Bolsonaro é um genocida. Não estamos falando de alguém que é “atrapalhado” ou “incompetente”. Estamos nos referindo a alguém que, no meio da maior crise de saúde pública e sanitária da história do Brasil, se coloca contra as máscaras, as vacinas, o isolamento social e praticamente tudo que cientificamente já se comprovou como as únicas possibilidades de salvarmos mais vidas. 

Leia também:
Solto e elegível, Lula mostra ao Brasil que há opção ao fascismo
Como o documentário ‘Doutor Castor’ explica e confunde o Rio

O lema de campanha de Bolsonaro era “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos”. Tenho pavor de imaginar qual é o “deus” a que Bolsonaro se refere nos seus pensamentos e orações. O “Brasil acima de todos” ele realmente conseguiu. Passamos os Estados Unidos no número de mortos por covid e, hoje, estamos acima de todos os outros países do mundo em quantidade de vidas perdidas. Provavelmente chegaremos, até o fim desse mês, a 300 mil mortes. Várias delas poderiam ser evitadas. É genocídio. 

Espero que no futuro ninguém mais tenha dúvidas. Que todas e todos, ao se referirem ao Bolsonaro, digam com todas as letras: Bolsonaro, o genocida. 

A partir de R$ 2 mensais, você colabora com a produção de mais conteúdo nas plataformas do Lado B do Rio. Acesse Padrim ou PicPay e conheça as metas e benefícios.

One thought on “Bolsonaro, o Genocida

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pin It on Pinterest