O desmonte do Brasil

Ontem (10), a ala progressista das redes sociais estava comemorando a “vitória da democracia”, pois o projeto de voto impresso, defendido por Bolsonaro, foi derrotado na Câmara dos Deputados. Eu fiquei olhando as comemorações e pensando no buraco em que estamos vivendo, onde cada pequeno acontecimento é celebrado ao máximo, numa tentativa desesperada de criar uma narrativa de que estamos, de alguma forma, resistindo. 

E estamos resistindo mesmo. Eu até acredito que vamos sair disso tudo, e o texto da semana passada era sobre minha insistente (e talvez alucinada) esperança. Mas como vamos sair disso tudo? Em que estado estaremos individualmente e coletivamente? 

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O voto impresso ontem foi derrotado, porém recebeu mais votos a seu favor do que contra. Só não foi aprovado porque, como se tratava de uma PEC, precisava de no mínimo 308 votos, que não foram alcançados. Porém, fico pensando: 229 deputados, todos eleitos pela urna eletrônica, votando a favor do voto impresso…isso é uma vitória real para a democracia? 

Ontem, também na Câmara dos Deputados, se aprovou uma “minirreforma” trabalhista. Quase não se falou disso,  pois nossa atenção estava voltada para o projeto golpista de Bolsonaro. A MP 1045 permite a contratação de jovens sem vínculo trabalhista, sem férias, FGTS ou 13° salário. Ela também dificulta a fiscalização e o combate ao trabalho escravo. A aprovação disso, feita de maneira silenciosa e sem debate, não é também um golpe? 

Jair Bolsonaro (sem partido) e Arthur Lira (PP-AL) seguem o desmonte do Brasil (Michel Jesus/Câmara dos Deputado)

O país vai sendo desmontado de forma muito acelerada, em todos os campos possíveis. As ameaças de fechamento do regime continuam firmes, mesmo com as latas velhas apresentadas ontem no desfile da Marinha. Entre ferramentas de ataques e defesa eles possuem tanques precários, nós possuímos apenas o desespero. 

Vamos sair disso tudo. Mas como? Quais serão nossas condições físicas e psicológicas até lá? 

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