Outro mundo, mais humano, existe: vamos superar o capitalismo

Fiquei imensamente feliz quando, há três semanas, o Fagner me convidou para assumir uma coluna semanal aqui neste Lado B do Rio, pois acompanho e admiro o trabalho desses quatro militantes (Alcysio, Caio, Daniel e Fagner), que têm feito história na comunicação independente e de esquerda no Brasil. O Lado B foi a minha porta de entrada para o vício de ouvir podcasts, o que hoje é uma rotina diária. Mas, apesar da felicidade, fiquei pensando “e se nada, nas vésperas da coluna, me tocar, a ponto de eu querer escrever sobre?”. 

Foi como se, por alguns segundos, tivesse esquecido totalmente que vivo no Brasil de 2020, durante uma pandemia que ainda não possui controle e sob um Governo Federal de forte inspiração fascista e genocida. Como pode faltar inspiração diante dessa anormalidade que é o tal do “novo normal”?

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É verdade que o desânimo persiste também, cada vez mais forte e constante. Mas driblar o desânimo, a dor, a tristeza, a fúria e a decepção para viver é algo que aprendemos desde antes de Bolsonaro. Está em nossa história e memória ancestral. 

Estamos nas vésperas das eleições municipais de 2020 e as opções com maior potencialidade de chegarem ao segundo turno no Rio de Janeiro são verdadeiras tragédias, o que, por incrível que pareça, facilita a campanha de Boulos em outra praça: São Paulo. Para mostrar como Russomano, favorito nas pesquisas, é uma fraude, basta compará-lo com Crivella. Apontar o Rio de Janeiro e falar “tão vendo aquela porcaria? É o nosso futuro se elegermos esse cara”.

Guilherme Boulos: opção contra o capitalismo à brasileira
Opções com maior potencialidade no Rio de Janeiro são verdadeiras tragédias, o que, por incrível que pareça, facilita a campanha de Boulos em São Paulo. (Facebook)

É triste e chega a ser cômico, como toda tragédia. Torço para que os paulistanos, de quem gosto tanto, tenham um futuro melhor. É sempre importante ter um lugar um pouquinho menos pior por perto para que um dia possamos, quem sabe, fugir. 

Anticapitalistas x ‘progressistas’

Mas por aqui, por hoje, enquanto fugir não é uma possibilidade (uma necessidade já é, há tempos), queria mesmo era ver Renata Souza eleita prefeita. Para além do óbvio sobre ser uma mulher cria da favela, doutora, feminista negra, Renata foi uma das fundadoras do PSOL no Rio. Ao lado de Marielle, ajudou a criar o núcleo do partido na Maré há mais de uma década. E para mim, por hoje, está sendo muito emblemático entender a importância de pessoas que constroem partidos, organizações políticas, movimentos e coletivos que toquem na raiz do problema, no maldito capitalismo. Estar atenta às pessoas que sejam de esquerda, que se coloquem enquanto anticapitalistas e não apenas como “progressistas”, é um bom caminho.

Um bom caminho para, talvez, nos tirar daqui desse atoleiro político, econômico e social. A crise que estamos vivendo, que é coletiva e também individual, que nos desanima e paralisa muitas vezes, que só faz a gente querer fugir, fechar os olhos até tudo passar, é também uma crise de falta de horizonte. Como a gente tem força se não conseguimos ver outra possibilidade de mundo? Mas esse outro mundo, mais humano, mais justo e mais inclusivo, existe. E não tem absolutamente nada a ver com o capitalismo. Vamos superá-lo.

2 comentários em “Outro mundo, mais humano, existe: vamos superar o capitalismo

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