Prefeitura de Belford Roxo despeja IFRJ

* Por Augusto Perillo

O Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) é uma política acertada do governo Lula. A lei de criação dos IF’s foi aprovada em 2008, e desde então, os campi de ensino são localizados estrategicamente na periferia e no interior do Estado do Rio de Janeiro para construir outras possibilidades de futuro para jovens e adultos. Para se ter uma ideia da proposta dos IF’s, no estudo recente sobre as cidades mais vulneráveis pelo impacto do Covid, das cinco cidades mais vulneráveis do Rio de Janeiro, todas têm uma unidade do IFRJ.

Em Belford Roxo não é diferente. Uma cidade marcada pelo histórico de violência – caracterizada pela ONU como a cidade mais perigosa do mundo nos anos 80 – e de serviços precários, teve como possibilidade em 2011 de receber o primeiro e único espaço de educação presencial, gratuito, com currículo federal em uma cidade de 510 mil habitantes.

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Em 2011, a cidade de Bel teve a oportunidade de ter um instituto que hoje possui dois cursos técnicos (produção de moda e artesanato) e 27 cursos de qualificação profissional, dentre eles, fotografia, empreendedorismo, modelagem, desenhista de moda. Além disso tudo, os Institutos estão na linha de frente na pesquisa contra o Covid e na produção de álcool em gel para a sua distribuição nas periferias.

Após a eleição da nova prefeitura da cidade, com a vitória do Waguinho (MDB) em 2016, um dos primeiros atos como prefeito foi revogar a concessão do terreno para o Instituto Federal do Rio de Janeiro. Para quem já visitou o IFRJ – Campus Belford Roxo, os estudantes têm aula em conteiners, com esgoto a céu aberto e rotineiras faltas de água e luz. Entretanto, a premissa da prefeitura não é correta: não foi por opção que o Instituto não continuou a obra . Não se avançou nas obras porque a prefeitura embargou todos os alvarás e licenças desde então.

A importância de qualquer serviço de qualidade na periferia é tremenda porque a perspectiva de qualquer morador da Baixada Fluminense é enfrentar horas de viagens, encarar a violência das ruas, os altos preços das passagens e horas sem dormir para ter acesso ao serviço mais elementar possível. Despejar o IFRJ é eliminar a possibilidade de futuro de milhares de jovens e adultos que não terão condições de estudarem e se capacitarem profissionalmente fora de sua cidade.

Waguinho (MDB) é o prefeito de Belford Roxo que não quer o IFRJ no município que administra

A reitoria do Instituto recorreu na Justiça. De surpresa, sem esperar a conclusão do julgamento, em meio a uma pandemia, a Câmara de Vereadores aprovou rapidamente o despejo do IFRJ. Dos 25 vereadores, apenas dois votaram a favor da educação, com 18 votando pelo despejo. Cinco se ausentaram ou se omitiram.

Terrenos desocupados, obras abandonadas, mausoléus para a prefeitura construir outros estabelecimentos não faltam em Belford Roxo. É só dar uma passeada pelo entorno da Bayer, por exemplo, que você verá terrenos do tamanho de vários campos de futebol ociosos. O debate real não é espaço físico: é a mentalidade que reproduz as desigualdades sociais e coloca como única opção para o jovem da periferia a violência e o descaso.

A comunidade do IFRJ, movimentos sociais, partidos e o SINTIFRJ se mobilizam, em unidade, para derrotar a decisão autoritária de prefeitura. A luta é de todos que acreditam na educação!

* Augusto Perillo é baixadense, militante socialista, graduando em Ciências Sociais na UFF e ouvinte do Lado B do Rio.

Links recomendados:
https://fpabramo.org.br/2020/04/16/estudo-ranqueia-municipios-mais-vulneraveis-ao-coronavirus/
https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/belford-roxo-razoes-para-a-queda-da-criminalidade/
https://www.facebook.com/ifrjcbel/photos/a.990165554434710/2996233253827920/?type=3&theater

4 comentários em “Prefeitura de Belford Roxo despeja IFRJ

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  • 14 de junho de 2020 em 06:55
    Permalink

    Quem são os vereadores que votaram pela retirada?
    Que quantidade, vejo que tem muito partido de esquerda também…

    Resposta
    • 17 de junho de 2020 em 14:58
      Permalink

      Os vereadores que votaram a favor da revogação da lei 1479, a mando do prefeito Waguinho
      Daniela e Canella todos Bolsonarista (MDB)
      Nelci Praça (PTB)
      Markinho Gandra (PDT)
      Anjinho (PDT)
      Juarez da Farmácia (MDB)
      Bill da Piscina (PSDB)
      Cristiane Guedes (PP)
      Cristiane sobreira (PP)
      Kénia Santo (PSDB)
      Varandão (MDB)
      Tuninho Medeiros (PMDB)
      Eduardo Araújo (PRB)
      Elvis Da Internet (MDB)
      Jadinho Do Pica-Pau (MDB)
      Rodrigo Gomes (MDB)
      Rodrigo Com a Força do povo (PRTB)
      Tayano (MDB)
      Armandinho Penelis (MDB)
      Nuna (PSDB)

      Votaram contra a revogação
      Cristiano Santos (PTB)
      Pastora Aninha (MDB)

      Vereadora Enira Ranuzia (DEM) foi embora antes de terminar

      Vereador que faltaram a sessão:
      Gal (PT Do B)
      Nem Colonial (PSL)
      Telminho (PSL)
      ZZ da Crajubar (PT Do B) e falta divulgar os partidos da base aliada .

      Essa coisa de “partido de esquerda ou direita” não funciona na Baixada como nas grandes capitais. É óbvio que é importante a gente refletir sobre isso, mas o prisma aqui é outro.

      Resposta

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