Meio sem querer, procurador da Lava Jato admite seletividade em movimento pré-eleições

Nos últimos dias, aconteceu um movimento no mínimo interessante na Operação Lava Jato. Há uma semana, Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais procuradores da força-tarefa em Curitiba, pediu pra sair da operação.

Sem se desapegar do trabalho que lhe deu notoriedade, talvez até meio sem querer, ele atirou contra o monstrengo jurídico a megaoperação em dois momentos.

Logo no dia seguinte ao pedido de desligamento, mesmo negando que a operação poupe tucanos e aperte petistas, Santos Lima afirmou que Lava Jato teve mais apoio enquanto PT era o principal alvo.

Depois, Santos Lima deu nova perspectiva da seletividade, talvez acidentalmente, quando argumentou que a Lava Jato parece partidária por não conseguir avançar em ‘determinados políticos’.

O reconhecimento tácito da seletividade veio, principalmente, em forma de critica à mudança de postura do ministro tucano do STF, Gilmar Mendes (responsável pela libertação de vários investigados, principalmente alinhados ideologicamente ao jurista) e ao foro privilegiado.

O fato é que essas declarações de “aceitação” de seletividade, de alguma forma são até surpreendentes, já que ele e seus pares sempre negaram as críticas e jamais fizeram uma reflexão profunda sobre o tema, não necessariamente quanto a eles, procuradores, mas também quanto a todo os mecanismos judiciários que os cercam.

Surpreende porque vem de um deles, de dentro para fora. Mas não assombra a população, que já havia percebido essa distinção de tratamento da Justiça e do Ministério Público muito antes. Por isso, mas também pela ausência de repercussão maior dessas declaração nos principais veículos da imprensa, esse fato não deverá interferir nas campanhas e pesquisas das eleições. Ainda sim, não deixa de ser um curioso movimento pré-eleitoral.

A controversa Lava Jato parece chegar ao seu ocaso com prisões, condenações e restituições de valores no currículo, mas piorando a credibilidade do Judiciário, sem resolver profundamente o problema da corrupção e, como ônus, jogando a população contra a política e contra às estatais e às políticas de estado como um todo.

Para muita gente, a operação não passa de um braço estadosunidense para destruir a economia brasileira e latino-americana. Para outros, é obra de meia-dúzia de operadores da Justiça metidos a salvador da pátria crentes que foram escolhidos por Deus para “passar o Brasil a limpo”, como mostra aquele vídeo do procurador chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, perguntando à plateia do Jô Soares quem acredita que a Lava Jato mudaria o país  (e a resposta é negativa, obviamente)

Não precisa de muito para saber que a questão da corrupção não será resolvida só com penas e condenações, necessárias, mas não salvadoras. Ainda mais em um sistema como o capitalismo à brasileira, onde público e privado se unem e se fundem para se perpetuarem como protagonistas do espetáculo.

De qualquer forma, a Lava Jato vai indo embora deixando marcas.

Cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia, palpiteiro da rotina, opinólogo profissional, sommelier da porra toda e deblaterador.

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