Na crise do coronavírus, Bolsonaro recorre ao que faz de melhor: falar merda

A crise global causada pela pandemia do novo coronavírus COVID-19 deixou ainda mais escancarada a já conhecida tática do chimpanzé mal amestrado que 57.797.847 de brasileiros quiseram colocar no Planalto (e outros 11.094.698 de eleitores lavaram as mãos) denominado Jair Bolsonaro.

O “plano de governo” do simulacro de ditador da República das Bananas é simples: falar merda. Nesse campo, o boçal capitão da reserva joga em casa, com desenvoltura e talento poucas vezes vistos.

Foi assim, afinal, que ficou conhecido e se tornou “mito” de abestados, perversos e ignorantes Brasil afora, doidos pela volta de Dom Sebastião.

Durante longos 30 anos, o então deputado federal fez o que quis com a sua peculiar língua, cujo grande trunfo é ter ligação direta com o intestino, livre de marcação. Exaltou a ditadura de 1964, lambeu o saco de torturador daquela época, quis fuzilar um presidente, desejou a morte de outra, xingou todo mundo, bancou o ‘estuprador bonzinho’ com colega de Câmara…enfim, fez de tudo. Ou melhor: falou de tudo.

Bolsonaro enquadrou Mandetta, que ousou parecer alguém sério no começo da crise

Projeto mesmo, nada de relevante. Bandeira ou causa? Nunca teve. Esteve em voga somente por atacar com a verborragia que lhe fez notório: FHC, o PT, o Lula, a Dilma. Também vomitou palavras contra a Venezuela e Cuba. Depois, cagou pela boca contra todos os petralhas, esquerdistas, comunistas. Também se opôs, sempre proferindo chorumes, à luta negra, à causa das mulheres, à bandeira LGBT, ao interesse indígena e, por fim, ao “sistema”. Sim, o sistema pra ele é Cuba, Lula, LGBTs, o Lado B do Rio, o Caio Bellandi…

Quando se viu alçado ao candidato à presidência que salvaria o país, só teve uma escolha: seguir firme na tática de afiar a língua na merda. Impropérios, palavrões, ameaças, às vezes travestidas de brincadeiras de um tiozão reaça, e por vezes, a sério mesmo.

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Quando precisou apresentar seu projeto, correu. Viu na polêmica facada – que a rigor, foi a única coisa que FEZ mesmo em 30 anos de política (no caso, sofreu, mas não deixa de ser no campo do agir) – a desculpa ideal para fugir dos debates pré-eleição de 2018 e dizer o que queria fazer com o restinho de país que agora destrói.

Quando a coisa apertou um pouco mais, apresentou seu projeto: ao melhor estilo Adolfo Borges, bateu no peito e disse que ia montar “o melhor time”. Limitado intelectualmente para planificar e agir, terceirizou tudo: aos evangélicos fundamentalistas, deu os Direitos Humanos; a Moro, um aliado dos últimos anos, cedeu a Segurança Pública. Na Economia, o projeto é de Paulo Guedes (e de toda a elite econômica). Para as Relações Internacionais e a Educação, entre outras áreas, colocou os seguidores do absurdo Olavo de Carvalho. Deu a Defesa e outros cargos menores aos seus chefes militares (ousadia hierárquica, né?) e o punhado restante cedeu aos aliados fisiológicos de partidos como MDB e DEM.

Do presidente mesmo, o governo só tem uma coisa: as declarações. No cercadinho, na live, nos pronunciamentos ou coletivas, toda palavra dita tem o DNA de Bolsonaro. Na verdade, dos Bolsonaros, afinal, é sabido que o doidinho Carluxo, o vereador federal, controla as mídias sociais e parte do discurso do pai, com a mesma particularidade de emitir cheiro de cocô quando abre a boca que o genitor.

Acontece que, como um castigo divino (engraçado, não vi nenhum fundamentalista falar em castigo divino dessa vez…) pela opção firmada em 28 de outubro de 2018, o Brasil – e o mundo – ganhou a pandemia do novo coronavírus, uma crise de saúde que mais parece uma Terceira Guerra Mundial.

E aí, os governantes ao redor da terra plana precisam agir.

Só que quem está no poder aqui na Pindorama não tem a menor noção do que acontece. E, se tem, simplesmente não sabe o que fazer

Não sabe porque nunca fez. Fazer, realizar, exercer, executar, efetuar, efetivar, empreender, desempenhar, formalizar, calcular, perpetrar, são verbos que não alcançam a limitação cognitiva de Jair Messias Bolsonaro.

Logo, sobrou a esse espécie de macaco Tião sem carisma que senta na cadeira da presidência o que ele sabe fazer de melhor: falar merda para atiçar sua horda de beócios, de empresários nada justos a brutos autônomos, e alimentar a corrente do zapzap enquanto o povo fica desesperado na falsa dicotomia entre salvar vidas ou salvar a economia.

E como “palavra não tem validade jurídica”, como disse Jacqueline Muniz no Lado B do Rio #139, e um papagaio da piada (aquele que fala, mas fala só merda) não tem capacidade intelectual para resolve crise alguma, sobrou para o Congresso, governadores, associações médicas e demais poderes agirem para tentar conter as mortes causadas pelo coronavírus.

Vamos ter que contar com eles, e claro, com a sorte, essa condição que some a cada talkey de Jair Bolsonaro.

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