Os perigos da candidatura de Sergio Moro

Sejamos justos: o ex-juiz Sergio Moro sempre teve ambições de se tornar um político e não foi uma surpresa a sua candidatura à presidência pelo Podemos.

Mas o que Moro sabe do Brasil? Que experiência possui para comandar um país? Certamente são perguntas que não iremos ver nos principais jornais daqui para frente. A imprensa corporativa já escolheu o ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba para chamar de seu, a tão falada terceira via. Comete-se um erro, mais uma vez, igual a 2018, quando essa mesma imprensa, atendendo interesses do mercado e de seus donos, vendeu a imagem de Jair Bolsonaro como um democrata.

Ora, como alguém é a favor da democracia dizendo que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”? Não se deve subestimar quem sente saudade do AI-5. Logo após a sua vitória, em 2018, William Bonner, ao vivo no Jornal Nacional, perguntou ao mais novo presidente eleito se ele respeitaria a Constituição de 1988 e ele disse que sim. E, desde o começo, lá estava Sérgio Moro ao lado de Bolsonaro como Ministro da Justiça, cargo que aceitou após a vitória do capitão nas eleições.

Nenhuma surpresa, uma vez que o então juiz ajudou sua candidatura. Criador e criatura.

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No ministério, Moro defendeu o excludente de ilicitude no seu famoso “Pacote Anticrime”, que dava ainda mais poder para policiais matar negros e pobres nas periferias do Brasil. Tudo, claro, sob a justificativa do combate à corrupção. Combate a corrupção cometendo mais crimes.

O candidato Moro representa um perigo à democracia. Pelo seu histórico, pelo seu pacote, pelos excessos cometidos como juiz da Operação Lava-Jato, por suas visitas nunca explicadas aos EUA, ainda como ministro de Bolsonaro, e por ter a imprensa hegemônica a seu favor.

Graças à Vaza-Jato, vimos as trocas de mensagens de Moro com o procurador Deltan Dallagnol, o que por si só é um escândalo, já que aos juízes cabe a isenção e a manifestação apenas nos autos. Numa das mensagens, as quais o The Intercept Brasil teve acesso, ficamos sabendo que 17 americanos viajaram à sede do Ministério Público de Curitiba para quatro dias de reuniões com a força-tarefa. Dellagnol não queria que essa viagem virasse notícia, pois o Ministro da Justiça na época, Luiz Eduardo Cardoso, é quem deveria autorizar essa viagem e estar a ciente dessa visita.

Para quem duvidava, série Vaza Jato mostrou como a operação Lava Jato foi uma farsa (Reprodução/The Intercept Brasil)

Mas não foi assim, e cabe a pergunta: que reuniões eram essas e sob quais protocolos? Como já falei anteriormente, ainda como ministro, Moro visitou junto com o presidente Bolsonaro, em 2019, a sede da CIA na Virginia. Talvez seja a primeira visita de um presidente e um ministro nas instalações da CIA. Silêncio nos principais jornais. E nenhuma investigação até agora da presença do Departamento de Justiça Americano atuando no Brasil.

E é por isso, que Sergio Moro é perigoso.

Há quem o veja como um homem bonito, educado e o herói contra os políticos corruptos. Não se enganem: por trás de Moro existe a mão invisível dos EUA com o objetivo de acabar com o que ainda resta das nossas indústrias e empresas. Não é patriota, mas sim, um vassalo dos americanos e não passa de um ambicioso e corrupto barato. Se a grande imprensa já o tem como o seu candidato favorito, cabe a nós estarmos atentos.

Sergio Moro é mais perigoso para o Brasil que Bolsonaro.

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