A esquerda que quer se reafirmar revolucionária

Faltam cerca de seis meses para as eleições de 2022. Como já disse repetidas vezes, aqui no Lado B do Rio, essas serão as eleições mais importantes da nossa geração. Estamos vivendo tempos muito duros, violentos e até cruéis, onde a fome e a falta de direitos básicos estão se espalhando rapidamente. Ignorar esses fatores, e relativizar o que poderia significar para o povo a derrota de Lula perante Bolsonaro, é um erro gigantesco. 

Ano que vem, se Lula for eleito, ele não fará milagres, mas certamente começaremos a ter melhorias pontuais na vida dos trabalhadores. Preço da comida, do gás, da gasolina, da luz, etc. E, ao que parece, nenhuma dessas melhorias, mesmo pontuais, vai contar com o apoio de parte da esquerda que está mais preocupada com sua autoimagem. Uma esquerda mais debruçada em se dizer revolucionária do que, de fato, em apontar caminhos para o cenário menos pior. 

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Vejam bem, eu não gosto do cenário menos pior. Eu detesto o menos pior. Isso me fere e me desestimula, diversas vezes, enquanto uma pessoa de esquerda, enquanto cidadã, enquanto alguém que se propõe em pensar políticas e futuros. Porém, o que eu gosto ou não gosto é o que menos interessa na conjuntura. 

Diversos companheiros do campo da esquerda passaram os últimos anos chamando Bolsonaro de fascista, o que ele realmente é. Mas agora preferem criticar Boulos, Lula e qualquer outra pessoa que – pasmem só – estejam fazendo estratégias eleitorais EM ANO DE ELEIÇÃO. Parece irônico, mas eu vejo como imaturo. 

Boulos foi criticado por abrir mão da sua candidatura ao governo de São Paulo, como se fosse um “pelego” ou um “chaveirinho” do PT. Se ignora que Boulos é uma liderança política, um dirigente partidário, alguém com seus próprios planos e compromissos (individuais e coletivos). Se ignora as estratégias do PSOL (que podem sim ser criticadas, embora criticar de fora seja sempre muito mais fácil) e, por fim, se ignora a importância de um parlamento um tanto mais progressista, seja para a sustentação ou oposição ao próximo governo. 

Chapa Lula/Alckmin causa alvoroço na esquerda instituicional, que se divide entre apoio desde já e críticas mais fervorosas (Reprodução)

Na ânsia de criticar tudo e todos, numa tentativa de se mostrar uma pessoa mais pura, superior e “mais revolucionária” que as demais, se ignora a vida prática, se ignora o cotidiano doloroso que tantas pessoas têm vivido. 

Se por um lado é absurdo alguém apoiar cegamente (e de forma acrítica) a chapa com Alckmin, por outro é imaturo não saber fazer cálculos eleitorais básicos e ignorar que estamos, sim, em ano de eleição. As instituições não são a solução, mas oferecem respostas importantes para problemas que são pontuais – e que nem por isso são menos importantes na vida das pessoas. 

O Brasil não possui condições para uma revolução socialista, hoje. Pautar um programa da esquerda radical é, sim, importante. Mas isso não muda o fato de que as pessoas precisam de respostas rápidas, para pagar os boletos, para comer, para colocar os filhos na creche, para terem o churrasco do final de semana ou qualquer outra possibilidade mínima de lazer e de existência. E isso tudo, hoje, passa por Lula eleito. 

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3 thoughts on “A esquerda que quer se reafirmar revolucionária

  • 1 de abril de 2022 em 19:38
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    Nem pensar em reeleger um corrupto de carteirinha. Ele tem conversa, porque a fala é um dom dele, mas ela ñ pode lhe dar o direito de mentir ,mentir e mentir. Ele ñ está preso, porque o STF é formado por petistas que saquearam a PETROBRAS …

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  • 1 de abril de 2022 em 19:40
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    Comentário acima. Ser de esquerda, mas apoiar candidatos honestos. Lula não!!!

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