A vitória de Gabriel Boric será uma vitória nossa

Essa é minha última coluna no Lado B do Rio em 2021. O ano vai se encerrando, o ciclo se fechando e o que fica além do cansaço, ao menos pra mim, é a esperança de que 2022 será um ano melhor, apesar de certamente ser muito difícil. 

Como eu disse no texto do dia 04 de agosto, isso tudo que estamos vivendo, por mais terrível que seja, vai passar.

Vai passar. 

Nessa minha insistência otimista, nada pode ser melhor para o último mês de 2021 do que a possível vitória de Gabriel Boric no dia 19 de Dezembro, no Chile. A vitória dele lá, caso ocorra, será uma vitória nossa aqui. 

Boric (se pronuncia “Bórit”) é um ex-líder estudantil, que tem um papel de muito peso na atual esquerda chilena, que ocupou as escolas e universidades em 2011, que tomou as ruas em 2019 e que conquistou a criação de uma Assembleia Constituinte, para a elaboração de uma nova Constituição, agora em 2021. Todos esses episódios estão interligados, mostrando uma onda de insatisfação popular e progressista que só vem crescendo na última década no Chile. E Boric esteve presente, ocupando um lugar de destaque, em todas essas lutas. 

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É verdade que ele é considerado um quadro moderado entre os setores mais radicais da política chilena. Se por um lado ele não representa a velha e engessada política do Partido Socialista, que já esteve no poder nos últimos anos, por outro lado ele também não possui a força tão visível no Partido Comunista, liderado pelo quase presidenciável Daniel Jadue. Gabriel Boric faz parte da Convergencia Social, que integra o Frente Amplio, uma confluência de esquerda com inspirações no Podemos, da Espanha. 

Eu não sei, obviamente, se Boric vai vencer as eleições que acontecerão em 11 dias. As últimas pesquisas indicam que ele está na frente de José Antonio Kast, de extrema-direita. Porém, daqui até o dia da eleição não serão realizadas novas pesquisas, por determinação da lei eleitoral chilena. Ou seja, o dia 19 de Dezembro será um dia de fortes emoções, independente do resultado. E eu espero que o impacto seja pela esperança, não pela tristeza. 

A vitória de Boric é importante para o povo chileno e para a garantia e avanço das conquistas sociais tão reivindicadas por parte expressiva da população. E, para além das terras chilenas, sua eleição também será fundamental para que a América Latina consiga frear o avanço da extrema-direita. A vitória de Kast poderia significar um fortalecimento, inclusive estratégico e pragmático, para nomes como Fujimori, do Peru, além de Bolsonaro. Gabriel Boric sendo eleito presidente do Chile, por outro lado, acaba resultando num cenário regional muito mais favorável (mesmo no campo simbólico e discursivo) para Lula, aqui no Brasil, e também para Gustavo Petro, líder das pesquisas na Colômbia. 

Possível vitória de Gabriel Boric no Chile aumenta a esperança de um 2022 melhor para o Brasil (Reprodução/Facebook)

Pois é: o jovem candidato chileno, nascido numa família abastada de Punta Arenas, sul do Chile, representa esperança para nosotros. A esperança necessária em um ano que foi tão violento na nossa vida cotidiana e no nosso imaginário político. 

Precisamos não só criar forças para a luta que se aproxima. Precisamos também conseguir frestas que nos possibilitem acreditar, de fato, na derrota de Bolsonaro e no começo do fim do bolsonarismo. Como diz um dos políticos brasileiros que eu mais admiro, o professor Tarcísio Motta, “só a luta muda a vida”. E nessa luta, que não é infértil, mas sonhadora, os chilenos tem nos mostrado um possível caminho. 

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