O “Efeito Bolsonaro” é o efeito da nossa tragédia coletiva

Na última terça-feira, 13, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria, bem extensa, que serviu para confirmar o que todas e todos nós já sabíamos por motivos óbvios: Bolsonaro contribuiu e contribui ativamente para a disseminação do vírus da Covid-19, e para a morte em decorrência da doença, no Brasil.

Pouco após publicada, a matéria e seu título “Efeito Bolsonaro” já estavam entre os assuntos mais comentados do Twitter. Resumindo: um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento (IRD), identificou o “Efeito Bolsonaro” na propagação do vírus no Brasil. Quando Bolsonaro minimiza a pandemia, o isolamento diminui e, consequentemente, mais pessoas se contaminam e morrem de Covid-19. O mesmo acontece nas cidades onde Bolsonaro foi mais votado e tem mais apoio.

Em uma mistura de delírio e populismo tosco, Bolsonaro oferece Cloroquina a uma ema do Palácio da Alvorada (Foto: Adriano Machado/Agência Reuters)

É uma tragédia! Não pode existir outra palavra mais leve para definir o fato do Brasil ter um presidente que age, deliberadamente, de forma que uma doença com forte mortalidade continue se espalhando e vitimando a população.

Isso não é uma novidade e tem sido óbvio desde o início da pandemia. Mas é importante, sem dúvidas, ter um estudo científico que comprove o fato de que temos um presidente genocida. Espero que a pesquisa seja usada futuramente em Haia.

E sabem o que consegue ser ainda mais trágico? É que a pandemia não veio sozinha. Chegou em um dos momentos mais barulhentos da história recente, em meio à reorganização do sistema capitalista que aumenta absurdamente as desigualdades em todo o mundo por meio de sua face neoliberal. Ou seja, ela é um alarme disparando em um momento que muita gente sequer consegue ouvir, seja porque está voltando a ter fome, lidando com o desemprego e o trabalho informal, está pensando se as aulas de seus filhos voltarão ou não ao modelo presencial, está tentando se salvar das queimadas e das mais variadas formas de genocídio promovidas pelo Estado.

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E, além do nosso povo, ensurdecido ao longo dos séculos, temos elites econômicas que não apenas não se importam com o “Efeito Bolsonaro”, como se satisfazem de saber que o presidente que ajudaram a eleger está fazendo direitinho a limpeza social historicamente tão defendida e implementada no Brasil. E, entre quem não escuta o desabar do mundo e quem faz o mundo desabar, há o meio termo formado por uma classe média diversa que, no geral, é composta por uma gente medíocre e vazia, focada em tentar ser elite, embora saibamos que nunca será. 

O “Efeito Bolsonaro” não se trata apenas da tragédia de termos uma das figuras mais deploráveis da história da política mundial como presidente. Aqui, hoje, em nossa geração, nosso tempo. O “Efeito Bolsonaro” é resultante de um país que nunca foi o que poderia ter sido, mas que sempre foi o que não deveria ser.

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