O incidente do iFood e a onda fascista de 2022

Na noite de terça, os nomes de alguns estabelecimentos foram alterados no aplicativo do iFood. Milhares de usuários perceberam que o China Inbox se tornou “Lula Ladrão”, um restaurante de frutos do mar se tornou “Vacina Mata” e um restaurante de comida mexicana virou “Mariele de Franco Peneira”. Poderia dizer aqui que isso é o horror, é a barbárie, mas ainda assim seria insuficiente. Isso é o que o Brasil se tornou.

Esse episódio – que o iFood justificou como um caso isolado, feito por um funcionário de uma empresa terceirizada – é apenas uma amostra grátis do que está por vir. Em 2022 teremos eleições, Bolsonaro e centenas de bolsonaristas tentarão continuar no poder e o que nós viveremos no Brasil certamente será um show da mais pura e concreta distopia. 

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Além de todas as preocupações que eu já carrego na vida, ultimamente tenho outra: como será que anda a segurança do Lula? Será que ele anda com uma equipe que possui real noção de tudo que pode (e provavelmente poderá) ser tentado contra ele? Às vezes parece, olhando os posts de alguns parlamentares e figuras públicas que se pretendem candidatas, que não existe seriedade sobre o que é o Brasil de hoje. 

Hack ao iFood é apenas o começo dos ataques da extrema-direita (Reprodução/Internet)

O Brasil de Bolsonaro é o Brasil da morte, em todos os sentidos possíveis. Em 2022 veremos mais “hackeamentos” como esse da iFood. Veremos ataques, atentados, violências físicas e simbólicas contra a esquerda. A violência política sempre foi uma realidade no Brasil, mas nos últimos anos ela ganhou contornos muito mais profundos e covardes. As maiores vítimas da violência política são mulheres, pessoas negras e LGBTs. Mas ninguém está imune ou totalmente blindado quando vivemos num país com claros ideais fascistas. 

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São declarados inimigos todas e todos aqueles que minimamente defendem a democracia (por mais limitada que essa democracia sempre tenha sido). O inimigo é atacado e ao mesmo tempo desumanizado, numa tentativa de fazer com que gere menos empatia, menos solidariedade, menos comoção pública. Bolsonaro pode estar derretendo em todas as pesquisas, e isso é ótimo, nos dá certa esperança. Já que não teve impeachment, ele será derrotado nas urnas. Mas não podemos nos enganar achando que o fascismo morre através do voto.

A extrema-direita que não teme em ser explicitamente racista, misógina, elitista e lgbtfóbica continuará conosco. Ela permanecerá como um câncer, e a nossa “esquerda democrática” terá que aprender a lidar com ela sem falsas ilusões nas instituições, que cada dia se mostram mais a vontade em conviver com o retrocesso. Serão tempos duros, mas é muito simples saber de qual lado ficar. Basta lembrar que quem odeia Marielle é também quem é contra as vacinas. Isso já diz absolutamente tudo. Na verdade, é muito simples saber qual o seu lado da trincheira.

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