Os liberais preferem Jair Bolsonaro

Faltando um ano e um mês pras eleições de 2022, uma coisa já é certa: os liberais preferem Bolsonaro. Há uma semana, o presidente estava, aparentemente, sob perigo. A palavra “impeachment” estava na roda, resultado da tentativa golpista do 7 de Setembro. Parecia que pela primeira vez as demais vozes políticas do país estavam atentas ao perigo que Bolsonaro encarna, para além da esquerda que nunca subestimou o capitão fã de torturador. 

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Aparecimento de Temer por meio de uma cartinha tosca foi o suficiente pra domesticar os liberais em favor do fascismo (Wilson Dias/Agência Brasil)

Porém, bastou uma cartinha de Bolsonaro para tudo se desmanchar e voltar ao normal do Brasil atual, onde ameaças golpistas são naturalizadas. A carta foi escrita na verdade por Michel Temer, que também é um conhecido golpista, mesmo que sob uma estética diferente. O socorro de Temer a Bolsonaro, assim como a completa naturalização, por parte da mídia e das instituições, de um presidente que ameaça todo o país e depois se redime através de uma carta rasa que nem ele próprio escreveu, é só mais uma amostra do quanto os liberais brasileiros irão sempre preferir Bolsonaro do que a esquerda. 

Em outras palavras: os liberais preferem o fascismo do que uma democracia com um presidente de esquerda.

O editorial do Estadão, nas vésperas das eleições de 2018, que definia a disputa entre Haddad e Bolsonaro como “uma escolha muito difícil” era sobre isso. As tentativas de igualar Lula a Bolsonaro, colocando o líder petista como “extrema-esquerda” e como “dois lados da mesma moeda” são sobre isso. A dificuldade da imprensa brasileira em admitir a perseguição política da Lava Jato contra Lula é também sobre isso. 

O liberalismo é a antessala do fascismo. São poucos os liberais que possuem realmente comprometimento democrático com o país e por isso, mesmo não satisfeitos, indicam que votarão em Lula para derrotar Bolsonaro. São raros. Mas qualquer pessoa séria, atenta, bem informada e consciente sabe que Lula é um nome ao centro e moderado. Muito mais ao centro e muito mais moderado do que a esquerda gostaria, inclusive. 

Porém, não importa o quanto Lula sinalize sua vontade de conciliar, ele não será a opção dos liberais. E por isso mesmo ele deveria radicalizar seu discurso. 

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