Os pacotes de maldades de Cláudio Castro e Eduardo Paes

Um dos incontáveis males do bolsonarismo é o fato de que todas e todos nós que gostamos de política (ou nos interessamos por ela por algum motivo específico) acabamos “federalizando” o nosso olhar. Nos últimos anos a nossa atenção tem se voltado para Brasília numa proporção muito maior do que a nossa preocupação com os acontecimentos do estado ou da cidade onde moramos. 

É natural. Estamos sendo governadas por uma criatura que ameaça, de diferentes maneiras, a nossa vida e a existência do Brasil na forma que o conhecemos. Ficar vigilante é realmente importante, assim como reagir e resistir. Porém, isso traz muito cansaço. Um cansaço descomunal que muitas vezes nos impossibilita de ter um olhar mais atento para o que andam fazendo os prefeitos, governadores, vereadores e deputados estaduais. 

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Mas, apesar da desimportância merecida que temos dado a alguns desses entes públicos, não podemos dormir no ponto e marcar bobeira. Aqui no Rio, por exemplo, o trator neoliberal está passando com tudo! 

O governador Cláudio Castro (que está sendo investigado pelo Ministério Público por suspeita de fraude na compra de um milhão de cestas básicas) enviou para a Alerj um “pacote de maldades”, que inclui uma série de retrocessos para os servidores públicos e para o estado do Rio. Entre as propostas consta uma Reforma da Previdência, um Teto de Gastos e uma Reforma Administrativa. 

Todas as políticas de austeridade (que aprofundam a desigualdade social e, ao fim, resultam nas mortes dos mais pobres) já implementadas ou defendidas pelo Governo Federal, ganharam versões locais para o povo fluminense. 

Já na capital do estado

O prefeito Eduardo Paes (que com sua malandragem e carisma conquista admiradores entre a ~esquerda~ carioca) enviou para a Câmara Municipal o Projeto de Lei Complementar 04/2021, que cria o novo regime fiscal do município. Segundo o documento, o PLC “estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e define mecanismos de controle, estabilização e preservação para corrigir os desvios que afetaram o equilíbrio das contas públicas”. 

Com o jeitão maladrão e flertando com todos os espectros políticos, Eduardo Paes vai arrochando os servidores (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Entre as propostas de Paes, estava prevista a suspensão da contagem de tempo de serviço para triênios e carreira. Essa medida foi derrotada após pressão das bancadas do PSOL e do PT. Porém, o PLC também propõe a extinção de empresas públicas e autarquias, adota para funcionários municipais as regras previdenciárias do Governo Federal e reduz benefícios para servidores.

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O desmonte do país está acontecendo por todos os lados. Não é algo feito com exclusividade por Paulo Guedes, mas também encontra eco em governos estaduais, prefeituras e até no Judiciário. O desafio da oposição (não a oposição inventada, da “terceira via”, mas sim a oposição real, de esquerda) nunca foi tão grande. A luta atualmente não é, infelizmente, para avançar com pautas progressistas, mas sim para tentar evitar ao máximo a agudização das maldades sociais e econômicas. 

Temos que ter muita atenção em Bolsonaro, mas sem esquecer que o bolsonarismo, assim como o Diabo, possui diferentes formas. 

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