Que a CPI seja o início do fim do bolsonarismo também no Rio

Na terça-feira, dia 27, foi instalada, no Senado, a CPI da Covid (que já tá sendo chamada também de CPI do Genocídio). O Governo Federal fez de tudo para tentar adiar a CPI e, inclusive, tentar ter controle sobre a escolha de seus membros e sua composição, mas não conseguiu. 

Acho que podemos considerar o momento atual como o mais fraco de Bolsonaro, desde que foi eleito. A reprovação de seu governo continua numa crescente e, para seu total desespero, Lula reconquistou seus direitos políticos e hoje se mostra na frente na corrida ao Planalto, em diferentes pesquisas. A CPI, e tudo que ela deverá confirmar (pois saber já sabemos), podem ser devastadoras para o seu governo. 

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Porém, eu espero que as revelações sobre o genocídio em curso, promovido por Bolsonaro, não se restrinjam só a ele ou Pazuello. A política negacionista de Bolsonaro foi amplamente adotada por alguns governadores, como o de Roraima, do Amazonas, de Santa Catarina e do Rio de Janeiro. 

Bolsonaro não defendeu que governadores também fossem investigados? Alguns deveriam mesmo. Não para serem perseguidos e bagunçar a CPI, como Bolsonaro gostaria. Mas governadores bolsonaristas deveriam sim ser investigados, pelo Ministério Público (já que as Assembleias Legislativas hoje são, em grande parte, equivalentes ao que poderíamos chamar de “formação de quadrilha“), sobre suas estratégias negacionistas que ajudaram a espalhar o vírus e matar parcela significativa da população de seus estados. 

Este é o governador do Rio de Janeiro. Cláudio Castro é o nome dele. (Luiz Alvarenga)
Este é o governador do Rio de Janeiro. Cláudio Castro é o nome dele. (Luiz Alvarenga)

Aqui no Rio, por exemplo, vimos Witzel ser afastado do cargo de governador (e seu impeachment deve ocorrer nos próximos dias) e ser substituído por Cláudio Castro. Uma figura inexpressiva, mas perigosa. Não aderiu à iniciativa de governadores para tentar comprar vacinas, ficando refém dos envios do Governo Bolsonaro. Demorou para adotar medidas restritivas, mesmo em meio à crescente de casos e de mortes. Depois de decretar o “feriadão” defendeu que bares continuassem funcionando, o que faria o estado viver um tipo de carnaval informal e mortífero. Aglomerou, dando uma festa de aniversário para dezenas de convidados numa mansão na Região Serrana. Defende que igrejas continuem abertas, independente da gravidade da pandemia. 

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Cláudio Castro é um remendo de Bolsonaro. É uma cópia mal feita, uma tentativa desesperada de se igualar ao pior presidente da história do Brasil (e olha que a história da nossa Presidência da República foi, quase sempre, uma junção de péssimos políticos). Cláudio Castro, que foi promovido de vereador num primeiro mandato para vice-governador, e que agora ocupa o lugar de Witzel (embora também seja investigado como ele, pelos mesmos crimes), quer se reeleger. Quer deixar de ser um acidente e se tornar um projeto. Para isso ele sabe que precisará do apoio de Bolsonaro e seus filhos. E, para ter tais apoios, precisa ser indiferente à vida. Precisa promover a morte. 

Como eu disse, espero que a CPI seja devastadora para o governo. Mesmo que não ocorra o impeachment (que parece improvável agora), é importante que a imagem de Bolsonaro seja bombardeada, ao ponto de sua rejeição o impedir de se reeleger. E ninguém tem dúvidas que, uma vez fora do poder, a cadeia será seu destino. E também de seus filhos, provavelmente. Talvez eu seja esperançosa demais, mas alimento sim o desejo de ver a família Bolsonaro pagando por seus inúmeros crimes. Porém, isso não basta. O bolsonarismo está enraizado nos estados e é urgente que o desgaste de Bolsonaro se reflita na queda de diversas figuras, entre governadores, deputados federais e deputados estaduais, que lhe dão sustentação. 

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