Não existe mais bala perdida no Rio de Janeiro

Por mais que ironizemos o significado do termo, é inegável que vivemos uma “Nova Era” nos governos federal e estadual do Rio de Janeiro. E, com a mudança da realidade, temos que adaptar a maneira a qual nos referimos a uma série de acontecimentos.

O conceito de “bala perdida” sempre foi bastante problemático, por ser um termo que incluía desde a pessoa baleada a 1,5 km de um tiroteio, passando em seu carro ou ônibus, até pessoas presas na linha de tiro de fogo cruzado.

Somando o fato de ser um termo muito aberto com o fato de ser visto pela estatística como “dano colateral” – ou seja, um tipo de dano que é tolerável, aceitável em prol de um bem maior, ainda que tal bem não seja definido em lugar algum – sempre houve grande espaço de melhora numa terminologia criada para explicar o fato inaceitável de que a política de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro, via de regra, sempre foi causar mais violência para ver se a violência acabava: atirar até parar de ter tiro.

A polícia do Rio de Janeiro sempre matou muito, mas nunca havia sido tão festejada por isso quanto é com sob o comando do genocida Wilson Witzel.

O governo de Wilson “Auschwitzel”, o saco de cimento molhado falante, não vê, contudo, esse tipo de morte como dano colateral, mas como política pública. O conceito de “guerra às drogas” como guerra aos pobres nunca ficou tão claro e naturalizado como no atual governo estadual.

Se você mora no CEP tido como errado ou tem a cor de pele tida como bandida, sua classificação como bandido é automática e presumida, pouco importando se a vítima estava com roupa da escola ou indo treinar na base do América.

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É inviável seguir tratando o tema pela narrativa do dano colateral quando ele é o dano desejado. A existência dessas pessoas como periféricas, negras, faveladas, é uma divergência irreconciliável com a visão de mundo de quem governa e faz questão de pagar de Rambo a cada oportunidade possível de presenciar de perto pessoas de origem humilde sendo baleadas a esmo por sua máquina de guerra.

A sede é pelo “cancelamento de CPF’s” e nada mais.

Ver jovens sendo atingidos covardemente pelas costas enquanto levavam um sonho e um par de chuteiras na mochila é o que o Governo do Estado deseja.

Repito para que fique claro: as ações policiais desse governo não tem o objetivo de combater o crime, apreender drogas ou algo que o valha. O objetivo é que do enfrentamento, mortes civis ocorram, de toda natureza.

Só o sangue escorrendo importa para o facínora que governa o Rio de Janeiro.

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