Contra sensacionalismo, projeto quer limitar horário para programas de TV policialescos

Uma das maiores aberrações da comunicação brasileira, os programas policialescos que abusam do racismo e do sensacionalismo poderão ser proibidos de passar na TV das 6h às 22h. É o que propõe a ideia legislativa de Jonas Rafael Rossato, que você pode – e deve – apoiar clicando neste link.

A síntese da proposta destaca que diversas emissoras, principalmente as regionais, “recorrem a programas que espalham notícias violentas sob a pretexto de ‘informar'”. Desta forma, pretende estipular horários de veiculação para programas calcados no sensacionalismo.

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No começo da década, o Uruguai incluiu os programas policiais no Decreto 488/88, que regula os horários da programação da TV para proteção das crianças. Lá, esse tipo de programa só pode ser transmitido das 22h às 6h. No mesmo instrumento legislativo, o país também regulamentou o uso de maconha.

Quando regulamentou a maconha, Mujica também limitou os horários de exibição dos programas policialescos no Uruguai

O projeto mexe diretamente com uma ferramenta de grande alcance público, e portanto, comercial. Mas, principalmente, é um ótimo instrumento de comunicação e propaganda que recorrentemente é transformado em milhares de votos, não só regionalmente, mas também em grandes centros nacionais.

No Rio de Janeiro, o mais famoso político originário de programas televisivos sensacionalistas foi Wagner Montes, que virou deputado estadual após suas marcantes participações em “O Povo na TV”, um precursor do estilo da década de 90, na então TVS (hoje SBT). Montes também comandou o”Cidade Alerta” e o “Balanço Geral”, ambos da Record.

Já em São Paulo, Celso Russomano também se mostrou ao público no “Aqui, Agora”, no início dos anos 90, quando era apenas um repórter do programa de Gil Gomes no SBT. É deputado federal até hoje.

Vindo do Paraná, Ratinho se tornou um dos principais nomes nacionais deste estilo há quase 30 anos e é fenômeno de audiência até hoje. Atualmente, seu filho, Ratinho Jr., é governador do estado.

Além de palanque político, os programas apelam para o sensacionalismo e se alimentam de toda sorte de crimes, preconceitos e falta de ética. O atual comandante do “Cidade Alerta”, sinônimo de sensacionalismo veiculado pela Record, é Luiz Bacci. O apresentador e sua equipe deram aula de como não fazer um programa de TV em pelo menos duas ocasiões recentes, que renderam críticas pesadas (e justas) no Twitter. Primeiro, anunciou, ao vivo, a notícia do assassinato da filha a uma mãe que estava participando do programa, elevando o nível de sensacionalismo na estratosfera. Semanas depois, enquanto uma filha chorava a morte do pai achado morto na rua, acusou a vítima de ser um agiota, sem qualquer base de apuração confiável, também ao vivo. Isso tudo entre 18h e 20h, horário nobre da TV para a família brasileira assistir.

Além de ter grande alcance em afiliadas, que replicam e reproduzem regionalmente o formato e o conteúdo, os programas policialescos são os responsáveis pelas grandes audiências de três dos cinco canais de TV do país: Record, RedeTV! e Band.

Na Bandeirantes, o “Brasil Urgente”, comandado por José Luiz Datena, atual grande nome do estilo, serviu de palanque para Jair Bolsonaro em diversos momentos de crise para o presidente. Já o apresentador ameaça se candidatar toda eleição. Na RedeTV!, também alinhada com o governo neofascista, o bobo da corte é Sikera Jr, apresentador do “Alerta Nacional”, que recebe seus milhares de reais para gritar, debochar fazer sensacionalismo, acusar sem provas e louvar Bolsonaro dia sim, dia também.

Por tudo escrito até aqui, é importante que estejamos atentos e apoiemos a ideia, ressaltando que, em um país sério, esse tipo de programa jamais seria veiculado, muito menos em uma concessão pública.

PS: As ideias legislativas podem ser enviadas por qualquer cidadão através do site do Senado Federal. As propostas que receberem 20 mil apoios em 4 meses são encaminhadas para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e formalizadas como sugestões legislativas. Após deliberação de senadores, pode tramitar como projeto de lei. O caminho é longo, mas façamos nossa parte.

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