Falta um mês. Ou faltaria…

Maio chegou e se a Copa do Mundo não fosse no Qatar, logo, logo a competição começaria. Estamos acostumados a assistir a Copa em junho e julho, e maio é um mês que passa rápido ou assim desejamos para vermos os grandes craques do futebol. Eu sou de uma época em que nós, torcedores, enfeitávamos as ruas e sentíamos uma verdadeira paixão pela Seleção. Infelizmente, já não é mais assim. No bairro onde moro, a última vez que colocaram bandeirinhas nas ruas foi em 2006, e de lá para cá, ninguém mais quis saber de enfeitar com as cores verde e amarelo. Aliás, as cores da bandeira do Brasil… é melhor nem falar.  

Era uma época boa, aquela em que vestíamos com orgulho a camisa da Seleção. Eu sou capaz de lembrar coisas e dizer “Ah, foi no ano da Copa de 98”. É como se eu dividisse na minha memória o que ocorreu nos anos do mundial da FIFA. Um exemplo: eu mudei de escola em 1998, quando a Copa foi na França. Lembro bem porque antes das aulas cantávamos o hino no pátio da escola. Ah o hino do Brasil, como era bom cantá-lo… 

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Eu lembro muito desse ano, por mais que o Brasil tenha perdido, foi um dos mundiais que mais gostei de ver. Na minha rua, no prédio em frente, a cada jogo do Brasil, tinha um telão para todos assistirem com direito a música. Imagine você, na semifinal contra a Holanda, a tensão que foi, ninguém cantava uma nota. Um silêncio apreensivo. Suspeito que com a narração emocionante de Galvão Bueno, algumas pessoas tiveram um AVC e nem perceberam, tamanha era a vontade de continuar torcendo para o Brasil. Minha mãe lembra que eu me escondi de baixo da cama. E na final, eu chorei porque não entendia nada, o Brasil perdia e não tínhamos palavras para explicar.  

Em 2002, poucas eram as ruas enfeitadas. A Seleção passou um sufoco para se classificar para o Mundial no Japão e na Coreia do Sul e muitos não acreditavam que seríamos penta. Um menino da minha turma lamentou que os jogos fossem de madrugada, porque teríamos aulas normais. Esse mesmo colega chegou a passar mal um dia na aula porque passou a madrugada inteira vendo os jogos. Quatro anos depois, no Mundial na Alemanha, as ruas voltaram a ter bandeiras e pinturas. Eu fiz questão de ajudar, mesmo sendo uma das poucas mulheres num grupo de maioria homens. E foi a última vez que as ruas ficaram amarelas e verdes a espera da próxima Copa começar.  

Copa do Mundo no tradicional ‘Alzirão’ na Zona Norte carioca (Reprodução/Facebook)

Este ano, outubro será o mês que antecede o mundial do Qatar. É também o mês das eleições, mas prefiro pensar que maio é o “falta um mês”. É o mês que somos bombardeados de comerciais na TV e nos frustramos com a convocação do técnico. “Por que não levou tal jogador?”. É sempre assim, nas conversas de bares, o assunto é que faltou dar uma chance a fulano que está jogando muito. Ser técnico da Seleção deve ser uma das piores profissões, penso eu, porque todos nós brasileiros somos técnicos ou queremos ser. A Copa do Mundo é uma competição curta: quando a gente pisca, já passou a primeira fase e já é semifinal. Se o Brasil é eliminado, perde um pouco da graça, e se perde feio, resta um gosto amargo, igual em 2014. E aí lembramos que ainda temos mais 6 meses pela frente e eleições.

Este ano, com gosto amargo ou não, já vamos estar bem perto do Natal, momento de estarmos com as nossas famílias. Novembro, dezembro, os últimos meses do ano, mas maio é o mês que antecede a Copa, vamos pensar assim.  

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