1001 dias sem Marielle Franco

Ontem, se completaram mil dias desde que Marielle Franco foi executada junto com seu motorista Anderson Gomes, no Estácio, região central do Rio de Janeiro. Mil dias é muito emblemático, é um marco, e por isso ontem se falou muito, mais uma vez, sobre a execução da Marielle e do Anderson. Mas se engana quem pensa que a partir de hoje, por qualquer motivo que seja, não contaremos mais os dias. 

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Ocorreram diversas ações pelo Brasil e também em alguns outros países, de pessoas individuais, de grupos de amigos e de ativistas, de organizações, partidos e movimentos que quiseram demarcar não só o fato de que um dos principais crimes políticos da história do país estava completando um marco temporal, mas também a incredulidade com a falta de respostas. Até hoje não sabemos:

Quem mandou matar Marielle Franco? Por quê? 
Marielle virou semente, sua luta não tem fim, mas queremos saber: quem mandou executá-la? (Foto: Vitor Mulazzani)

A imensa maioria das pessoas acaba pensando no caso da Mari (é estranho ficar falando “Marielle” pra quem no dia a dia, todos os dias, a chamava de Mari) quando vê uma reportagem nos jornais, na televisão ou algo do tipo. Mas para algumas pessoas esse caso se traduz numa rotina. A família da Mari (tanto sua família de sangue quanto sua viúva) vive imersa nessa dor e, sobretudo, nessa luta. São pessoas que transformaram o luto em luta, de diferentes formas e por diferentes meios, para dar seguimento ao legado de Marielle Franco. E para tantas outras pessoas – sejam os colegas de partido da Mari, sejam suas amigas e amigos, suas companheiras de luta, etc – pensar na Mari é algo constante, corriqueiro. 

Contar os dias é importante porque isso esfrega na nossa cara o quanto o Estado brasileiro é omisso. Mais do que isso. O quanto ele é culpado. Sabemos que de uma forma ou de outra, de forma mais direta ou indireta, propositalmente ou por pura negligência, sabemos que o Estado brasileiro possui certa parcela de culpa na morte da mulher negra mais votada do Rio de Janeiro em 2016. 

Não deixaremos de contar. Ontem foi 1000. Hoje é 1001. E assim vai seguir, até termos todas as respostas que estrategicamente nos são negadas. Mas somos incansáveis e teimosas! Queremos, exigimos, contamos e gritamos por justiça para Marielle e Anderson. 

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