Caso Prevent Senior mostra a importância de defender o SUS

Uma série de crimes milimetricamente calculados. A desimportância da vida humana. O lucro acima da vida. Tudo isso está escancarado no escândalo da Prevent Senior, uma das maiores atrocidades já vistas neste país. 

Uma das prioridades da Prevent Senior era liberar os leitos de UTI, e para eles era indiferente se isso acontecesse pelo fato dos pacientes terem se curado ou por terem morrido. Segundo a advogada Bruna Morato, ontem na CPI da Covid, a Prevent determinava que o oxigênio dos pacientes fosse deliberadamente diminuído após 14 dias de internação. O importante, para a empresa, era reduzir gastos. E vidas, nesse caso, eram encaradas como despesas. 

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É impossível olharmos para essa situação, onde experimentos científicos feitos com cobaias humanas se tornaram a regra de um plano de saúde, e não pensarmos na importância da defesa absoluta do Sistema Único de Saúde. O SUS, que tem sido tão sucateado por diversas gestões, em diferentes âmbitos, mas que segue como a melhor proposta de universalização da saúde para o povo brasileiro. 

O SUS que nos garantiu vacinas. O SUS que garantiu os convênios para que as vacinas chegassem até o povo. O SUS que possibilita que pesquisas sejam feitas de forma praticamente ininterrupta para a cura e prevenção de diversas doenças, não apenas a covid. 

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A Prevent Senior, assim como toda empresa privada, tem apenas um grande objetivo: o lucro. A intenção de qualquer plano de saúde, e de qualquer convênio privado, não é fornecer saúde, mas vender serviços. E para que esses serviços sejam vendidos para cada vez mais pessoas, aumentando assim constantemente a taxa de lucro, são necessários “sacrifícios”. Nesse caso não estamos falando de sacrifícios abstratos, de números, mas de vidas humanas. 

Além de cortar o oxigênio de vários pacientes, levando muitos à morte, a Prevent Senior também testou em muitos deles o remédios do chamado “kit covid”, uma série de medicamentos comprovadamente ineficazes contra essa doença. O médico Anthony Wong, um dos maiores negacionistas do Brasil, teve ozônio injetado em seu ânus mais de uma dezena de vezes. Ele morreu de covid e, ao que tudo indica, teve uma morte lenta e dolorosa, agravada justamente pelos remédios e métodos ineficazes que defendia. 

Os donos e os médicos negacionistas da Prevent Senior não podem sair impunes (Divulgação)

Considero importante apontar que também existem profissionais de saúde negacionistas e de extrema-direita no SUS. A ignorância e o ódio têm corroído o Brasil por todos os lados. Porém, ao contrário do setor privado, o SUS é um sistema extremamente complexo e muito bem estruturado, onde os erros e possíveis crimes de alguns profissionais não anulam ou inviabilizam seu objetivo maior: levar saúde para toda a população brasileira. 

Os donos e os médicos negacionistas da Prevent Senior não podem sair impunes. Estamos falando de um dos casos mais bárbaros já registrados no Brasil. Experimentos feitos com humanos, de uma forma só vista antes na Alemanha Nazista. É um horror praticado por quem deveria, supostamente, salvar vidas. E esse horror se deu em nome de princípios liberais, como “otimização de custos” e “corte de gastos”. Porém, independente do que venha a acontecer com a Prevent Senior, o SUS precisa ser defendido e valorizado, mais do que nunca.

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