Jair Bolsonaro matou Paulo Gustavo

Escrevo esse texto enquanto ainda me recupero do choro. Paulo Gustavo morreu. Ator, comediante, um dos maiores artistas dos nossos tempos. A pessoa mais popular do nosso cinema atualmente. Após mais de um mês internado com covid, Paulo Gustavo não resistiu. Deixou milhões de fãs, deixou seu companheiro Thales, deixou seus lindos filhos pequenos, deixou sua mãe (que era a grande inspiração da Dona Hermínia, sua personagem mais famosa). Meus sentimentos à todas e todos. 

Mas, apesar do que constará oficialmente, Paulo Gustavo não morreu apenas de covid. Ele morreu de Brasil e seu assassino foi Jair Bolsonaro. O mesmo assassino que ontem também matou outras 2.965 pessoas, segundo dados do CONASS. Duas mil, novecentas e sessenta e seis vidas perdidas, contando com o Paulo Gustavo. Vidas que poderiam ter sido salvas com vacinas. Vacinas que Jair Bolsonaro, presidente da república, não comprou. 

No dia 27 de abril, o jornalista Octavio Guedes revelou, em sua coluna do G1, que o Governo Bolsonaro recusou 11 ofertas para compras de vacinas. Seis vezes se recusou a Coronavac (que só foi comprada nacionalmente após o avanço da compra pelo governador de São Paulo, João Dória), três vezes se recusou a Pfizer e duas vezes se recusou a participação no consórcio de vacinas Covax Facility. Essas foram recusas formais, registradas e reveladas até o momento. ONZE! É um escândalo, mas pode ser ainda pior. 

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As pessoas estão morrendo para uma doença para a qual já existem vacinas. Sim, vacinas, no plural. Estão morrendo não por ineficiência ou incompetência do Governo Bolsonaro, mas por negligência e por uma deliberada política de promoção do vírus entre a população. A comorbidade é ser brasileiro. Iremos ultrapassar o meio milhão de mortos e, provavelmente, não irá parar por aí. Como podemos seguir assistindo um país inteiro ser desmontado e destruído diante dos nossos olhos? 

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Acabou de passar na TV, enquanto escrevo, a entrevista do ator e diretor Fernando Caruso no Jornal das 10, na Globo News. Eu estou afundando em meio a tantas notícias trágicas (estava na dúvida, até horas atrás, se escreveria sobre o massacre do governo direitista na Colômbia ou a barbárie que arrancou a vida de crianças e professoras numa creche de Santa Catarina). Caruso pediu desculpas por se exaltar durante a entrevista e politizar a morte de Paulo Gustavo. Eu entendo Caruso. É impossível não politizar uma morte que é fruto justamente da falta de políticas públicas e do abandono que o “líder” do país submeteu a todos nós. 

Eu acredito que a família de Paulo Gustavo – assim como TODAS as famílias de pessoas mortas por covid desde que o governo recusou comprar vacinas – deveria processar Bolsonaro por homicídio.

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O projeto de morte sempre foi explícito. E a CPI da Covid, que ironicamente começou ontem, vai comprovar isso, através da institucionalidade e burocracia necessárias. Bolsonaro vai pagar. Pazuello, o general covarde, vai pagar. Todos os envolvidos nesse esquema sórdido e covarde irão pagar. 

Pela memória de todas as pessoas que foram assassinadas de Brasil, sob o desmando do assassino Bolsonaro, Justiça precisa ser feita. Justiça é urgente.

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