Justiça para Lorena Muniz, justiça para todas

Há cinco dias começou a circular nas redes sociais um vídeo onde o blogueiro Tom Negro denunciava que sua companheira, Lorena Muniz, estava entre a vida e a morte após um caso de total negligência durante uma cirurgia plástica

Lorena era uma mulher trans, pernambucana, que foi até São Paulo colocar próteses nos seios, na clínica do Dr. Paulino. A clínica é famosa entre travestis e transexuais por cobrar um preço abaixo da média do mercado. O “barato” que muitas vezes sai caríssimo, já que são recorrentes as reclamações de problemas pós-cirúrgicos e até de supostas deformações. 

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Lorena estava sendo operada quando o ar condicionado da sala de cirurgia teve um aparente curto circuito e começou a pegar fogo. A equipe médica correu do lugar, deixando para trás Lorena, que estava sedada, inconsciente. Um dos sonhos de Lorena se tornou um pesadelo, uma tragédia, o seu fim. 

Lorena morreu. Seu companheiro e sua mãe foram até São Paulo para fazer os trâmites legais pós-morte e estão sendo auxiliados pelos mandatos da vereadora Erika Hilton e da deputada estadual Erica Malunguinho. Hilton, inclusive, conseguiu assinaturas suficientes para abrir uma CPI que investigará as constantes mortes de pessoas trans, sempre em situações de extrema violência e negligência, na cidade de São Paulo. 

Lorena e seu companheiro (Acervo pessoal/Tom Negro)

O que aconteceu com Lorena é reflexo de uma série de violências que acompanham cotidianamente as trajetórias das pessoas trans. É forte a pressão para um “corpo ideal” para, quem sabe assim, a pessoa finalmente ser aceita e respeitada de acordo com seu gênero. Existem as clínicas que, sabendo da vulnerabilidade social das pessoas trans, oferecem preços mais acessíveis em troca de procedimentos mais duvidosos e com rigor técnico mais questionável. E aí pode acontecer de tudo, até a pessoa ser abandonada numa sala em chamas e tomada pela fumaça.

Pode acontecer de tudo com quem não tem nada. Lorena Muniz se torna, aos olhos da sociedade, mais uma entre tantas. Pessoas trans, corpos modeláveis e corpos descartáveis. Assim a engrenagem cisgênera, que olha as pessoas trans como fetiche ou como aberração, segue girando, num eterno ciclo vicioso de exclusão, de ódio ou de indiferença. 

Meus sentimentos e solidariedade (e aí incluo toda a família Lado B do Rio) à sua família e amigos. Eu espero que Justiça seja feita por Lorena. Por ela, por nós, por todas. 

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