Kathlen Romeu, Vitórya Melissa e as mulheres mortas pelo Estado

Nessa última semana, dois casos de mulheres assassinadas me fizeram refletir, mais uma vez, sobre as mortes que o Estado proporciona, de diferentes formas. 

No dia 02, em Niterói, Vitórya Melissa foi brutalmente assassinada no Plaza Shopping, em plena luz do dia e aos olhos de todas as pessoas que ali estavam. O assassino foi Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos, preso em flagrante no local. O caso está sendo configurado como um feminicídio. 

Ontem, no Complexo do Lins, Kathlen Romeu, uma jovem negra de 24 anos, também foi assassinada. Ela estava grávida de 14 semanas e foi morta por uma “bala perdida” durante uma operação policial. 

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São casos diferentes, em contextos diferentes, mas que não tenhamos dúvidas: elas foram mortas pelo Estado brasileiro. 

O patriarcado e o racismo são estruturantes das políticas sociais e econômicas do Brasil. São eles que fazem com que mulheres, sobretudo as negras e racializadas, estejam na rasteira de todos os índices de qualidade de vida. E o capitalismo, obviamente, sempre soube usar dessas opressões estruturantes para a expansão e aprofundamento da sua desigualdade.

Mulheres são vítimas de feminicídio porque o Estado brasileiro não está nem um pouco interessado em mudar essa realidade. Uma realidade onde, no ano de 2020, cinco mulheres foram assassinadas a cada dia no Brasil, segundo dados da Rede de Observatório da Segurança. Mesmo com tantos casos de mulheres mortas, feminicidadas, o Estado não oferece nenhuma prevenção à violência contra as mulheres, como o ensino de gênero nas escolas poderia promover. E são diversas barreiras que dificultam tanto as mulheres de denunciar casos de agressão, quanto de depois a Justiça punir os culpados. O que o Estado brasileiro nos diz é: a vida das mulheres vale menos. 

Enquanto isso, o massacre ao povo negro deste país, que acabou com a vida de Kethlen Romeu e seu filho, também só acontece porque essa é uma vontade do Estado. Anos de políticas de repressão às favelas e seus moradores, anos de precarização da vida dos trabalhadores mais pobres, anos de racismo institucional, tudo isso em nome de uma “guerra às drogas” que, nós sabemos, é uma guerra aos pobres. Uma suposta guerra que permite que a polícia invada localidades para fazer “operações” sem sentido, que não trazem nenhuma paz para ninguém, mas sempre resultam num corpo preto caído sem vida. 

Tanto o feminicídio quanto a “bala perdida” não são atos individuais, apenas de quem deu a facada ou disparou o tiro. Essas mortes, tão recorrentes, acontecem porque ajudam a manter um sistema onde os corpos das mulheres e da população negra seguem sob controle. Um sistema feito para explorar e oprimir e que através da violência e da morte insiste em se manter no poder. O Estado, assim como a burguesia, são responsáveis por isso. 

Vitórya e Kathlen: vidas ceifadas pelo feminicídio e racismo alimentados pelo Estado brasileiro (Reprodução/Redes Sociais)

Vitórya Melissa e Kathlen Romeu foram vítimas desse sistema. Vítimas desse Estado Opressor. Até quando? Quantas mais? 

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